Irã ataca centro nuclear de Dimona em resposta à ofensiva de Israel

Atualizado em 21 de março de 2026 às 17:24
Usina nuclear de Dimona, no deserto do Negev, no sul de Israel.

A crise no Oriente Médio se intensificou neste sábado (21) com o ataque iraniano ao centro nuclear de Dimona, em Israel. A cidade, que abriga uma instalação estratégica de pesquisa nuclear, foi atingida por mísseis iranianos como resposta ao ataque israelense ao complexo nuclear de Natanz, no Irã. De acordo com a mídia iraniana, o ataque é uma retaliação direta pela ofensiva israelense contra suas instalações de enriquecimento de urânio, em uma escalada das tensões que já afetaram toda a região.

Israel confirmou o impacto de um míssil em Dimona, embora o Exército tenha interceptado outras tentativas de ataque. As forças de segurança israelenses relataram que a explosão na cidade foi intensa, resultando em pelo menos 39 feridos, incluindo uma criança de 10 anos. Dimona é a sede do Centro de Pesquisa Nuclear Shimon Peres Negev, e, de acordo com fontes, tem sido usada para o desenvolvimento de armas nucleares nas últimas décadas.

A reação iraniana vem após um aumento significativo nas hostilidades entre os dois países, com o Irã alertando sobre possíveis ataques a centros nucleares israelenses caso seus próprios complexos fossem alvos de mais bombardeios. O governo de Teerã havia avisado que tomaria medidas severas se os ataques contra suas instalações nucleares continuassem, o que se concretizou com o disparo dos mísseis contra Dimona. Apesar disso, a agência nuclear do Irã afirmou que não houve vazamento de material radioativo após o ataque.

No sábado, o Irã também acusou os Estados Unidos e Israel de atacarem sua instalação nuclear em Natanz. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tem expressado preocupações sobre os riscos de um acidente nuclear devido ao aumento das hostilidades. A instalação de Natanz já havia sido alvo de ataques anteriores, como no contexto da “Guerra dos Doze Dias” em junho de 2025, mas o impacto das investidas de agora parece ter sido mais intenso.

Imagens de satélite mostram destruição no complexo nuclear de Natanz

Além do ataque a Dimona, os Estados Unidos também se envolveram no conflito, com o Pentágono anunciando que destruiu uma importante instalação subterrânea iraniana no Estreito de Ormuz. O local, utilizado pelo Irã para armazenar mísseis de cruzeiro e outras armas, foi atingido durante uma série de bombardeios, com o objetivo de reduzir a capacidade do Irã de ameaçar a liberdade de navegação no estreito. Esse ataque gerou uma reação internacional, com países como Emirados Árabes Unidos, Reino Unido, França e Japão expressando sua disposição em contribuir para a reabertura do estreito.

As tensões geopolíticas envolvendo os ataques no Oriente Médio têm gerado impactos globais, especialmente no fornecimento de petróleo, com a escalada do conflito afetando os preços internacionais da commodity. O bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz desde o final de fevereiro ameaça desestabilizar ainda mais os mercados de energia, refletindo a crescente insegurança no comércio global de petróleo e gás.

Enquanto o governo israelense se prepara para intensificar seus ataques ao Irã nos próximos dias, a comunidade internacional continua tentando mediar a crise. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que a intensidade dos ataques aumentará até que todos os objetivos militares sejam alcançados. No entanto, a perspectiva de um fim imediato para o conflito ainda parece distante, com ambos os lados prontos para manter suas operações militares.

A situação no Oriente Médio segue muito instável, e a pressão internacional para buscar uma solução pacífica continua a crescer. A comunidade internacional, incluindo a ONU, tem reiterado o apelo por moderação, temendo que a escalada da violência leve a um conflito ainda mais amplo, com consequências desastrosas para a região e para a segurança global.