
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que os Estados Unidos não conseguiram conquistar a confiança da delegação iraniana durante a mais recente rodada de negociações realizadas em Islamabad.
Em uma série de publicações na rede X, Ghalibaf declarou que, antes mesmo do início das conversas, deixou claro que o Irã estava disposto a negociar com boa-fé, mas carregava desconfiança em razão das experiências recentes de guerra.
“Temos a boa vontade necessária, mas, devido às experiências das duas guerras anteriores, não temos confiança no lado oposto”, disse. Segundo ele, ao final, “a outra parte falhou em conquistar a confiança da delegação iraniana”.

O parlamentar também agradeceu ao Paquistão por atuar como mediador nas negociações e enviou cumprimentos ao povo paquistanês.
O Irã endureceu sua posição sobre o estratégico Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.
O vice-presidente do Parlamento, Haji Babaei, afirmou que o estreito está “completamente” sob controle iraniano e que a passagem de embarcações deve ser paga em riais, a moeda do país.
Segundo ele, 250 parlamentares apoiaram por unanimidade o plano relacionado ao estreito, considerado “inegociável em qualquer circunstância”. Babaei também destacou que, apesar das sanções, as exportações de petróleo iraniano superaram 1,6 milhão de barris por dia, afirmando que o produto do país se tornou “praticamente impossível de sancionar”.
“O povo iraniano não recuará nem um centímetro de suas exigências”, declarou.
A reabertura total do Estreito de Ormuz — incluindo para navios não considerados aliados de Teerã — é uma das principais exigências dos Estados Unidos para encerrar o conflito e integra o plano de cessar-fogo condicionado de duas semanas firmado entre as partes na semana passada.
O fechamento virtual da rota marítima provocou disparada nos preços dos combustíveis e ameaça impactar o cenário político interno dos EUA, especialmente às vésperas das eleições legislativas de novembro.
No sábado, autoridades militares americanas informaram que iniciaram preparativos para remover minas da região, com dois destróieres equipados com mísseis guiados conduzindo operações. O Irã, no entanto, negou que essas embarcações tenham atravessado o estreito.