Irã e EUA rejeitam proposta de cessar-fogo do Paquistão

Atualizado em 6 de abril de 2026 às 14:08
A bandeira do Irã tremula entre as ruínas do consulado iraniano na Síria. Foto: Divulgação

Nesta segunda-feira (6), tanto o Irã quanto os Estados Unidos rejeitaram o plano de cessar-fogo elaborado pelo Paquistão. O regime iraniano, inclusive, apresentou uma contraproposta, que ainda não foi detalhada publicamente.

O presidente dos EUA, Donald Trump, embora tenha elogiado a proposta paquistanesa, afirmou que ela ainda não era “suficiente”. Ele destacou que, embora o plano tenha sido um “passo significativo”, ele não resolve o conflito de maneira definitiva.

“Eles [o Irã] fizeram uma proposta, e é uma proposta significativa. É um passo significativo. Mas não é suficiente”, afirmou o presidente. Trump também reiterou que o novo prazo para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz seria nesta terça-feira (7), mas deixou claro que os EUA não estão com pressa: “Poderíamos sair agora mesmo se quiséssemos, mas eu quero terminar o trabalho.”

De acordo com a agência estatal iraniana Irna, o Irã recusou o plano do Paquistão porque acredita que uma pausa temporária apenas permitiria que os adversários se reagrupassem e realizassem novos ataques. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que Teerã está buscando uma solução permanente para o conflito. “Estamos pedindo o fim da guerra e que se impeça sua repetição”, disse ele.

O Irã já apresentou sua contraproposta ao Paquistão, mas os detalhes ainda não foram divulgados. A proposta original do Paquistão, compartilhada com os dois países na noite anterior, consistia em duas fases: um cessar-fogo imediato seguido de negociações para um acordo definitivo que colocasse fim à guerra.

Teerã afirma que destroços encontrados em Isfahan, no Irã, pertencem a aeronaves militares dos Estados Unidos. Foto: Divulgação

A proposta previa, ainda, a possível reabertura do Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã há mais de um mês. A sugestão do Paquistão indicava que o cessar-fogo entraria em vigor imediatamente, permitindo a reabertura do Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o mercado global de petróleo.

As partes teriam entre 15 e 20 dias para negociar um acordo mais amplo. Alguns meios de comunicação, como o site Axios, informaram que os EUA e o Irã estavam discutindo um cessar-fogo de 45 dias, com a possibilidade de que isso levasse a um fim permanente do conflito.

No entanto, a Reuters ressaltou que a proposta não mencionava a participação de Israel, que também está envolvido no conflito ao lado dos Estados Unidos. Apesar de uma decisão de Washington ser transmitida e imposta a Tel Aviv, o governo israelense tem seus próprios objetivos e exigências em relação ao regime iraniano.

A proposta do Paquistão, conhecida como “Acordo de Islamabad”, ainda precisa ser discutida em detalhes. Segundo fontes, o plano pode incluir compromissos do Irã com seu programa nuclear em troca de alívio nas sanções econômicas e liberação de ativos congelados.

O chefe do Exército paquistanês, marechal de campo Asim Munir, esteve em contato contínuo durante a noite com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, na tentativa de encontrar um entendimento que pudesse reduzir as tensões na região.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.