Irã fecha Estreito de Ormuz e navios que tentarem passar serão incendiados

Atualizado em 2 de março de 2026 às 18:05
Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz. Foto: Divulgação

O Irã anunciou nesta segunda-feira (2) que o Estreito de Ormuz está oficialmente fechado, e qualquer navio que tentar atravessar a área será incendiado, conforme informações divulgadas pela mídia iraniana. A medida foi comunicada pelo comandante da Guarda Revolucionária, que justificou o fechamento como uma retaliação pela morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.

O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais estratégicas para o transporte de petróleo, sendo responsável por cerca de 20% do fluxo global do produto. Com o bloqueio, estima-se que o impacto sobre o mercado global será profundo, com uma possível alta nos preços do petróleo bruto.

A medida também pode agravar ainda mais as tensões no Oriente Médio, afetando as economias mais dependentes do petróleo da região. O fechamento do estreito aconteceu logo após um ataque com drones realizado pela Guarda Revolucionária iraniana contra um petroleiro que transitava pelo estreito.

A embarcação atingida foi identificada como ‘Athen Nova’, e fontes da agência Reuters confirmaram que o ataque foi uma retaliação direta aos recentes bombardeios realizados pelos EUA e Israel contra o Irã. Logo após o fechamento do Estreito de Ormuz, a unidade de elite do Corpo da Guarda Revolucionária iraniana emitiu uma nova ameaça, prometendo não poupar esforços contra os responsáveis pela morte de Khamenei.

Em comunicado, a unidade afirmou que “nem mesmo em casa” os “inimigos” do regime estarão seguros. Ameaças desse tipo seguem a linha do discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que se mostrou confiante na vitória de sua ofensiva contra o Irã, deixando claro que não pretende voltar a dialogar com o regime de Teerã.

A resposta iraniana também incluiu críticas contundentes ao ataque a civis. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, manifestou sua indignação por meio das redes sociais, pedindo que os Estados Unidos e Israel sejam responsabilizados pelos bombardeios que atingiram uma escola de meninas e um hospital no Irã.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. Foto: Divulgação

As autoridades dos EUA e Israel, no entanto, negaram envolvimento nesses ataques, embora o presidente iraniano tenha reiterado a gravidade das ações, classificando-as como uma violação dos princípios humanitários internacionais.

Em seu discurso, Trump destacou que os ataques contra o Irã são uma “última e melhor chance” para eliminar a ameaça representada pelo regime iraniano. O presidente afirmou que o objetivo da ofensiva é destruir os mísseis iranianos, desmantelar a Marinha do país e interromper o financiamento de grupos terroristas que atuam no Oriente Médio.

O bloqueio do Estreito de Ormuz coloca em risco a principal rota de transporte de petróleo do mundo. A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait, o Iraque e o próprio Irã, que controla a parte norte do estreito, dependem dessa via para exportar seus recursos naturais.

O preço do barril de petróleo já subiu 10% desde o início do bloqueio, chegando a US$ 80, com expectativas de que esse valor possa chegar a US$ 100, caso o conflito se intensifique. Esse cenário preocupa particularmente as economias asiáticas, que são as mais dependentes do petróleo do Oriente Médio.

A China, maior importadora de petróleo iraniano, já sente os efeitos do aumento dos preços e da instabilidade no comércio de energia. O bloqueio do Estreito de Ormuz tem o potencial de impactar a estabilidade global, especialmente para mercados em crescimento na Ásia, Europa e América do Norte.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.