Irã: Israel diz ter atingido “altas autoridades”, mas não confirma Khamenei como alvo

Atualizado em 28 de fevereiro de 2026 às 9:42
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei. Foto: Reprodução

As Forças Armadas de Israel não confirmaram se o aiatolá Ali Khamenei foi alvo direto dos ataques contra o Irã neste sábado (1), mas afirmaram que “altas autoridades envolvidas nos planos para destruir Israel” foram alvejadas, segundo um porta-voz militar.

Questionado sobre relatos da imprensa israelense que citavam Khamenei como possível alvo, o representante disse que “grande parte da liderança do Irã está envolvida em promover ataques contra Israel e promover a destruição de Israel, e pessoas envolvidas no plano de destruir Israel podem ser alvos”.

De acordo com o porta-voz, a atual ofensiva busca resultados mais amplos do que operações anteriores realizadas por Israel e Estados Unidos, que atingiram instalações nucleares iranianas em junho do ano passado.

“Na operação Linha Ascendente, conseguimos detê-los no limiar, impedindo que avançassem para um ponto perigoso demais. Agora, estamos operando para fazer uma mudança maior, que dure anos, para impedi-los de levar adiante seus planos. Estamos mirando suas capacidades militares, suas capacidades terroristas e os grupos aliados”, afirmou, citando o Hezbollah no Líbano, o Hamas em Gaza e os houthis no Iêmen.

Segundo Israel, o Irã teria investido entre US$ 700 milhões e US$ 900 milhões no último ano em grupos aliados na região, com a maior parte destinada ao Hezbollah. “Enquanto as pessoas no Irã não têm o que beber, eles estão enviando dinheiro para seus aliados pelo Oriente Médio para garantir que mantenham a chama acesa do plano de destruir o Estado de Israel”, declarou o porta-voz.

Mísseis e programa nuclear são citados como justificativa

As forças israelenses afirmaram que a ofensiva foi motivada pelo avanço do programa de mísseis iraniano e por preocupações com o desenvolvimento nuclear do país.

“Nossa inteligência identificou uma aceleração acentuada no programa de produção de mísseis do Irã; eles estão desenvolvendo dezenas de mísseis balísticos por mês, e o ritmo de produção está cada vez mais rápido, chegando a milhares nos próximos anos”, disse.

O porta-voz acrescentou que “esse regime perigoso está operando e agindo para ocultar e fortalecer seu programa nuclear para que possam voltar a avançá-lo, para que possam seguir em frente com ele novamente”. Apesar disso, não há indícios claros de que o Irã possua armas nucleares, embora o país tenha enriquecido urânio acima do nível necessário para fins civis nos últimos anos.

Israel informou que convocará 70 mil reservistas para reforçar a defesa aérea e de fronteiras. Segundo os militares, houve “dezenas” de ataques iranianos contra o território israelense nas últimas horas, mas sem registro de danos significativos.