Irã propõe reabrir Ormuz aos EUA e adia negociação nuclear em tentativa de acordo rápido

Atualizado em 27 de abril de 2026 às 6:30
Vista aérea do Estreito de Ormuz. Foto: reprodução

O Irã apresentou uma nova proposta aos Estados Unidos para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar a guerra, mas deixando as negociações sobre seu programa nuclear para uma etapa posterior. A informação foi divulgada pelo Axios e ocorre em meio ao impasse diplomático entre Teerã e Washington, após um fim de semana de novas frustrações nas tentativas de diálogo.

Segundo o site, a proposta teria sido encaminhada aos EUA por meio de mediadores paquistaneses. O plano partiria de um cessar-fogo prorrogado por um longo período ou do fim permanente da guerra. Só depois da abertura do estreito e do levantamento do bloqueio estadunidense aos portos iranianos começariam as tratativas sobre a questão nuclear.

A Casa Branca recebeu a proposta, mas ainda não está claro se está disposta a analisá-la. Donald Trump, por sua vez, já sinalizou que pretende manter o bloqueio naval, que vem sufocando as exportações de petróleo do Irã. À Fox News, ele afirmou que não vê sentido em enviar uma delegação ao Paquistão neste momento.

“Não vejo sentido em enviá-los em um voo de 18 horas na situação atual. É muito tempo. Podemos fazer isso igualmente bem por telefone. Os iranianos podem nos ligar se quiserem. Não vamos viajar só para ficar sentados lá”, disse Trump no sábado (25).

Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: reprodução

A declaração foi dada depois que a mídia iraniana negou que o chanceler Abbas Araghchi negociaria diretamente com Washington em Islamabad. Com isso, Trump cancelou novamente o envio dos emissários Steve Witkoff e Jared Kushner ao Paquistão.

Nesta segunda-feira (27), Araghchi desembarcou em São Petersburgo para uma reunião com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. O encontro ocorre em um momento de forte tensão no Oriente Médio e reforça o papel de Moscou como um dos principais aliados internacionais da república islâmica.

Ao comentar o fracasso da última rodada de negociações, realizada entre Omã e Paquistão, o chanceler iraniano responsabilizou Washington. Ele afirmou que “a postura dos Estados Unidos fez com que a rodada anterior de negociações, apesar dos avanços, não conseguisse alcançar seus objetivos”. Segundo Araghchi, a delegação estadunidense apresentou “exigências excessivas”.

O ministro também elevou o tom sobre a crise no Golfo. Para ele, “a passagem segura pelo Estreito de Ormuz é uma questão global importante”. O Irã mantém fechado o estreito, rota estratégica para o comércio global de petróleo, e promete sustentar a medida enquanto durar o bloqueio estadunidense aos portos iranianos.

Antes de viajar à Rússia, Araghchi passou por Omã e Islamabad e também conversou por telefone com o chanceler da Turquia, Hakan Fidan. A movimentação indica uma tentativa de ampliar canais regionais de mediação, mesmo sem diálogo direto com os EUA.

Em outra frente de instabilidade, Israel e Hezbollah voltaram a trocar acusações sobre violações da trégua no Líbano. Ataques israelenses contra o sul libanês deixaram 14 mortos no domingo, incluindo duas crianças, segundo autoridades locais. O Exército israelense informou a morte de um soldado e ferimentos em outros seis militares.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que seu Exército combate “vigorosamente” a milícia xiita e defendeu a liberdade de ação contra “ataques planejados, iminentes ou em andamento”. “Isso significa liberdade de ação não apenas em resposta a ataques (…) mas também diante de ameaças imediatas e até mesmo ameaças emergentes”, sustentou.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.