
O Irã apresentou uma nova proposta aos Estados Unidos para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar a guerra, mas deixando as negociações sobre seu programa nuclear para uma etapa posterior. A informação foi divulgada pelo Axios e ocorre em meio ao impasse diplomático entre Teerã e Washington, após um fim de semana de novas frustrações nas tentativas de diálogo.
Segundo o site, a proposta teria sido encaminhada aos EUA por meio de mediadores paquistaneses. O plano partiria de um cessar-fogo prorrogado por um longo período ou do fim permanente da guerra. Só depois da abertura do estreito e do levantamento do bloqueio estadunidense aos portos iranianos começariam as tratativas sobre a questão nuclear.
A Casa Branca recebeu a proposta, mas ainda não está claro se está disposta a analisá-la. Donald Trump, por sua vez, já sinalizou que pretende manter o bloqueio naval, que vem sufocando as exportações de petróleo do Irã. À Fox News, ele afirmou que não vê sentido em enviar uma delegação ao Paquistão neste momento.
“Não vejo sentido em enviá-los em um voo de 18 horas na situação atual. É muito tempo. Podemos fazer isso igualmente bem por telefone. Os iranianos podem nos ligar se quiserem. Não vamos viajar só para ficar sentados lá”, disse Trump no sábado (25).

A declaração foi dada depois que a mídia iraniana negou que o chanceler Abbas Araghchi negociaria diretamente com Washington em Islamabad. Com isso, Trump cancelou novamente o envio dos emissários Steve Witkoff e Jared Kushner ao Paquistão.
Nesta segunda-feira (27), Araghchi desembarcou em São Petersburgo para uma reunião com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. O encontro ocorre em um momento de forte tensão no Oriente Médio e reforça o papel de Moscou como um dos principais aliados internacionais da república islâmica.
Ao comentar o fracasso da última rodada de negociações, realizada entre Omã e Paquistão, o chanceler iraniano responsabilizou Washington. Ele afirmou que “a postura dos Estados Unidos fez com que a rodada anterior de negociações, apesar dos avanços, não conseguisse alcançar seus objetivos”. Segundo Araghchi, a delegação estadunidense apresentou “exigências excessivas”.
O ministro também elevou o tom sobre a crise no Golfo. Para ele, “a passagem segura pelo Estreito de Ormuz é uma questão global importante”. O Irã mantém fechado o estreito, rota estratégica para o comércio global de petróleo, e promete sustentar a medida enquanto durar o bloqueio estadunidense aos portos iranianos.
Antes de viajar à Rússia, Araghchi passou por Omã e Islamabad e também conversou por telefone com o chanceler da Turquia, Hakan Fidan. A movimentação indica uma tentativa de ampliar canais regionais de mediação, mesmo sem diálogo direto com os EUA.
Em outra frente de instabilidade, Israel e Hezbollah voltaram a trocar acusações sobre violações da trégua no Líbano. Ataques israelenses contra o sul libanês deixaram 14 mortos no domingo, incluindo duas crianças, segundo autoridades locais. O Exército israelense informou a morte de um soldado e ferimentos em outros seis militares.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que seu Exército combate “vigorosamente” a milícia xiita e defendeu a liberdade de ação contra “ataques planejados, iminentes ou em andamento”. “Isso significa liberdade de ação não apenas em resposta a ataques (…) mas também diante de ameaças imediatas e até mesmo ameaças emergentes”, sustentou.