Irã propôs negociar acordo nuclear após ameaça militar americana, diz Trump

Atualizado em 12 de janeiro de 2026 às 6:57
O presidente dos EUA, Donald Trump, responde a perguntas de membros da imprensa a bordo do Air Force One. Foto: Samuel Corum/Getty Images

O presidente Donald Trump afirmou neste domingo (11) que o Irã entrou em contato com os Estados Unidos propondo negociar um novo acordo nuclear depois de o republicano ameaçar agir militarmente diante da repressão aos protestos no país.

Segundo o norte-americano, conversas para marcar uma reunião estão em andamento, embora ele tenha dito que “talvez precisasse agir primeiro” diante do aumento do número de mortos.

Falando a jornalistas a bordo do Força Aérea Um, Trump declarou: “Acho que eles estão cansados de apanhar dos Estados Unidos” e acrescentou: “O Irã quer negociar”.

O pronunciamento ocorre em meio a protestos que já ultrapassaram 500 mortos, segundo o grupo HRANA. Organizações de direitos humanos denunciam um suposto “massacre”, enquanto autoridades iranianas afirmam que as forças de segurança “escalaram” a resposta aos manifestantes.

Em 2017, Trump rompeu o antigo acordo nuclear entre EUA e Irã, o que levou Teerã a enriquecer urânio acima dos níveis destinados à produção de energia. Em junho de 2025, os Estados Unidos bombardearam instalações de pesquisa iranianas em meio ao conflito com Israel.

Mortes, prisões e acusações entre EUA, Irã e Israel

Grupos de direitos humanos afirmam que 538 teriam morrido nos protestos — 490 manifestantes e 48 policiais — e mais de 10.670 supostamente presas. Com a internet bloqueada no país, o número exato é incerto. O Centro para os Direitos Humanos no Irã relata um “massacre em meio a um apagão da internet”, enquanto outra ONG aponta possíveis “assassinatos em massa”.

O governo iraniano responsabiliza Estados Unidos e Israel pelos distúrbios e acusa ambos de se infiltrarem nos protestos.

O presidente Masoud Pezeshkian pediu que a população se afaste do que chamou de “terroristas e badernistas”, ao mesmo tempo em que o parlamento iraniano ameaçou retaliar se houver ataque americano.

Já Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do parlamento iraniano, declarou: “Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos.”