
O presidente Donald Trump afirmou neste domingo (11) que o Irã entrou em contato com os Estados Unidos propondo negociar um novo acordo nuclear depois de o republicano ameaçar agir militarmente diante da repressão aos protestos no país.
Segundo o norte-americano, conversas para marcar uma reunião estão em andamento, embora ele tenha dito que “talvez precisasse agir primeiro” diante do aumento do número de mortos.
Falando a jornalistas a bordo do Força Aérea Um, Trump declarou: “Acho que eles estão cansados de apanhar dos Estados Unidos” e acrescentou: “O Irã quer negociar”.
Trump sobre o Irã: “Os líderes do Irã me ligaram ontem e querem negociar. Acho que estão cansados de serem derrotados pelos Estados Unidos. Uma reunião está sendo marcada, mas talvez tenhamos que agir antes dela, devido ao que está acontecendo”. pic.twitter.com/xWLTSsn4MJ
— Pri (@Pri_usabr1) January 12, 2026
O pronunciamento ocorre em meio a protestos que já ultrapassaram 500 mortos, segundo o grupo HRANA. Organizações de direitos humanos denunciam um suposto “massacre”, enquanto autoridades iranianas afirmam que as forças de segurança “escalaram” a resposta aos manifestantes.
Em 2017, Trump rompeu o antigo acordo nuclear entre EUA e Irã, o que levou Teerã a enriquecer urânio acima dos níveis destinados à produção de energia. Em junho de 2025, os Estados Unidos bombardearam instalações de pesquisa iranianas em meio ao conflito com Israel.
Mortes, prisões e acusações entre EUA, Irã e Israel
Grupos de direitos humanos afirmam que 538 teriam morrido nos protestos — 490 manifestantes e 48 policiais — e mais de 10.670 supostamente presas. Com a internet bloqueada no país, o número exato é incerto. O Centro para os Direitos Humanos no Irã relata um “massacre em meio a um apagão da internet”, enquanto outra ONG aponta possíveis “assassinatos em massa”.
O governo iraniano responsabiliza Estados Unidos e Israel pelos distúrbios e acusa ambos de se infiltrarem nos protestos.
O presidente Masoud Pezeshkian pediu que a população se afaste do que chamou de “terroristas e badernistas”, ao mesmo tempo em que o parlamento iraniano ameaçou retaliar se houver ataque americano.
Já Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do parlamento iraniano, declarou: “Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos.”
Carros incendiados, bandeira rasgada e multidão nas ruas: VÍDEOS mostram caos no Irã com protestos contra regime Khamenei https://t.co/JchwLszKFy #g1 pic.twitter.com/MSLxvnoKGi
— g1 (@g1) January 9, 2026