Irã reage a Trump no Golfo e promete “resposta mais ampla” em caso de novo ataque

Atualizado em 26 de junho de 2026 às 23:02
Petroleiro atracado em Omã
Návio-tanque atracado em Omã, durante o bloqueio realizado pelo Irã no estreito de Ormuz. Foto: Reprodução/REUTERS

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta sexta-feira (26), já sábado (27) no horário local, que atacou alvos dos Estados Unidos na região do Golfo em resposta a novos bombardeios estadunidenses contra o país. A declaração foi divulgada pela televisão estatal iraniana.

Segundo Teerã, a ação foi uma retaliação aos ataques realizados pelos Estados Unidos contra depósitos de mísseis e drones e radares costeiros no Irã. “Se a agressão se repetir, nossa resposta será mais ampla do que esta”, afirmou a Guarda Revolucionária, de acordo com a imprensa estatal.

O Comando Central dos Estados Unidos informou que os bombardeios foram uma resposta a um ataque iraniano contra um navio de carga que atravessava o Estreito de Ormuz. Washington classificou a ação atribuída ao Irã como violação do cessar-fogo firmado na semana anterior.

Aeronaves estadunidenses atingiram locais de armazenamento de mísseis e drones, além de instalações de radar costeiro. Uma autoridade dos Estados Unidos disse à Reuters que a operação havia sido concluída. O governo estadunidense não respondeu de imediato à alegação iraniana de que alvos militares dos Estados Unidos foram atingidos na retaliação.

Netanyahu Trump
Benjamin Netanyahu, presidente de Israel, e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Foto; Alex Brandon/AP

O episódio amplia a tensão em torno do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. Pelo corredor passam cargas relevantes de petróleo e gás natural liquefeito, e qualquer escalada militar na região tende a pressionar mercados e governos aliados dos Estados Unidos no Golfo.

Na véspera, Donald Trump havia acusado o Irã de violar o cessar-fogo ao lançar drones contra embarcações no estreito. O vice-presidente J.D. Vance também afirmou que Washington cumpriu o acordo e que “violência será recebida com violência”.

O Irã, por sua vez, sustenta que os Estados Unidos violaram compromissos ao atacar seu território. A Guarda Revolucionária afirmou que o país responderá a novas agressões e voltou a defender controle sobre a navegação no Estreito de Ormuz, ponto que é rejeitado por Washington e por aliados regionais.

A nova troca de ataques coloca em xeque a tentativa de estabilização costurada após semanas de confronto entre Estados Unidos, Israel e Irã. Países do Golfo passaram a defender publicamente a preservação da livre navegação em Ormuz e a retomada da via diplomática para evitar uma escalada regional.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!