“Irã será implacável”: premiê britânico descarta participar de ofensiva dos EUA e Israel

Atualizado em 2 de março de 2026 às 14:22
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, durante discurso nesta segunda (2). Foto: Reprodução

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, defendeu nesta segunda (2) sua decisão de manter o Reino Unido fora dos ataques iniciais realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Em resposta às reclamações do presidente dos EUA, Donald Trump, ele afirmou que sua posição foi tomada com base no interesse nacional.

“Nós tomamos a decisão deliberadamente de não participar da ofensiva dos EUA e de Israel”, disse Starmer ao parlamento britânico. Ele ainda apontou que as ofensivas são “contra os interesses do Reino Unido” e que a morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, “os deixará mais implacáveis e levará a ataques no Oriente Médio, sem preocupação com mortes de civis”.

“O presidente Trump expressou sua discordância com nossa decisão de não nos envolvermos nos ataques iniciais, mas é meu dever julgar o que é do interesse nacional da Grã-Bretanha. Foi isso que fiz e mantenho minha posição”, prosseguiu.

O premiê ainda apontou que a decisão de não se juntar aos ataques ofensivos foi cuidadosamente avaliada. Starmer também citou as bases britânicas no conflito e disse que elas “não estão sendo usadas por bombardeiros americanos”.

Ele explicou que, embora os EUA tivessem solicitado o uso de bases britânicas para “fins defensivos específicos e limitados”, o Reino Unido não se envolveu diretamente nos ataques. Em vez disso, as bases foram disponibilizadas para apoiar ações que não envolvessem ofensivas diretas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reclamou publicamente da demora do Reino Unido em liberar suas bases para as operações militares contra o Irã. Em entrevista ao jornal Daily Telegraph, ele disse estar “muito desapontado” com a resistência de Starmer, considerando-a uma situação “inédita entre nossos países”.

A base militar de Akrotiri, território ultramarino do Reino Unido desde a independência do Chipre, em 1960, é a maior base da força aérea britânica fora do seu país. Um drone iraniano atacou uma pista do local por volta das 19h deste domingo (1º).

O presidente de Chipre, Nikos Christodoulides, afirmou que houve apenas danos materiais no local. O ataque foi o primeiro contra um país da União Europeia desde o início da guerra, que começou no último sábado (28) após bomardeios americanos e israelenses ao Irã.

“Quero deixar claro: nosso país não participa de forma alguma e não pretende fazer parte de nenhuma operação militar”, disse Christodoulides após a ofensiva.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.