
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, defendeu nesta segunda (2) sua decisão de manter o Reino Unido fora dos ataques iniciais realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Em resposta às reclamações do presidente dos EUA, Donald Trump, ele afirmou que sua posição foi tomada com base no interesse nacional.
“Nós tomamos a decisão deliberadamente de não participar da ofensiva dos EUA e de Israel”, disse Starmer ao parlamento britânico. Ele ainda apontou que as ofensivas são “contra os interesses do Reino Unido” e que a morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, “os deixará mais implacáveis e levará a ataques no Oriente Médio, sem preocupação com mortes de civis”.
“O presidente Trump expressou sua discordância com nossa decisão de não nos envolvermos nos ataques iniciais, mas é meu dever julgar o que é do interesse nacional da Grã-Bretanha. Foi isso que fiz e mantenho minha posição”, prosseguiu.
O premiê ainda apontou que a decisão de não se juntar aos ataques ofensivos foi cuidadosamente avaliada. Starmer também citou as bases britânicas no conflito e disse que elas “não estão sendo usadas por bombardeiros americanos”.
Ele explicou que, embora os EUA tivessem solicitado o uso de bases britânicas para “fins defensivos específicos e limitados”, o Reino Unido não se envolveu diretamente nos ataques. Em vez disso, as bases foram disponibilizadas para apoiar ações que não envolvessem ofensivas diretas.
We are working with our longstanding friends and allies in collective self-defence.
That’s how we protect British interests and British lives. pic.twitter.com/WBb2P49V7U
— Keir Starmer (@Keir_Starmer) March 2, 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reclamou publicamente da demora do Reino Unido em liberar suas bases para as operações militares contra o Irã. Em entrevista ao jornal Daily Telegraph, ele disse estar “muito desapontado” com a resistência de Starmer, considerando-a uma situação “inédita entre nossos países”.
A base militar de Akrotiri, território ultramarino do Reino Unido desde a independência do Chipre, em 1960, é a maior base da força aérea britânica fora do seu país. Um drone iraniano atacou uma pista do local por volta das 19h deste domingo (1º).
O presidente de Chipre, Nikos Christodoulides, afirmou que houve apenas danos materiais no local. O ataque foi o primeiro contra um país da União Europeia desde o início da guerra, que começou no último sábado (28) após bomardeios americanos e israelenses ao Irã.
“Quero deixar claro: nosso país não participa de forma alguma e não pretende fazer parte de nenhuma operação militar”, disse Christodoulides após a ofensiva.