Isolado, Doria tenta conquistar o eleitorado que grudou em Bolsonaro. Por José Cássio

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Se no primeiro turno quem fez a diferença em favor de Márcio França (superou Paulo Skaf por uma diferença mínima) foram os votos da Baixada Santista, agora, nesta reta final, contra o tucano João Doria, o governador em exercício tenta ampliar sua base de apoio no interior do Estado.

Seus estrategistas escolheram justamente a base eleitoral dos dois principais colaboradores de Doria para desferir o ataque derradeiro que pode fazer a diferença e garantir os apoios que faltam: as cidades de Fernandópolis e São José do Rio Preto, terra de Rodrigo Garcia e Julio Semeghini, vice e coordenador geral de campanha de João Doria, respectivamente.

E se vale a máxima de que para vencer eleição não basta apenas ter apoio, mas também trazer o eleitor do adversário para o seu lado, Márcio França e seu grupo estão no caminho certo.

Conseguiram “virar” os votos de duas lideranças importantes da região, o prefeito de Fernandópolis, Andre Pessuto, do DEM, e o deputado reeleito Fausto Pinatto, do PP.

Ambos os partidos, DEM e PP, integram a base aliada de Doria.

“Neste segundo turno o partido liberou a bancada”, disse Pinato ao DCM. “Cada um está livre para apoiar quem quiser”.

Reeleito com 118 mil votos, Pinato tomou conta da região por causa da onda conservadora que varreu o estado e tirou de cena tradicionais lideranças do interior e da capital.

Nesta quarta, 24, com o prefeito André Pessuto, Pinato reuniu 100 prefeitos da região num encontro em Fernandopolis com Márcio França.

“No primeiro turno o pessoal ficou em cima do muro, mas agora é todo mundo com Márcio França”, disse ao DCM, depois de contar do desespero de Semeghini e Rodrigo Garcia para tentar segurar as bases e garantir que não participassem do encontro.

Da vizinha São José do Rio Preto vem o apoio do prefeito Edinho Araújo, emedebista histórico que trabalhou para Paulo Skaf no primeiro turno.

“Como aconteceu com a Baixada Santista em sete de outubro, agora é a nossa vez de fazer a diferença”, diz Pinato.

Entre os tucanos próximos a Doria o isolamento já e uma realidade que ninguém mais esconde.

Vencendo ou perdendo neste segundo turno, o que vai sobrar é magoa e ressentimento.

Alegam que foram traídos por Geraldo, solapados por Goldman e, novidade, traídos também pelo prefeito da capital, Bruno Covas.

“Me diz um prefeito regional que trabalhou pra gente nesta eleição?”, pergunta um coordenador de campanha que pediu para não ter o nome identificado.

Se vencer, Doria vai manter o comando do PSDB e a tendência é o partido mudar de perfil, partindo para uma atuação mais à direita.

No entendimento do gestor, Jair Bolsonaro aglomerou em torno de si uma legião de conservadores, mas por ser muito “tosco” não vai dar conta de organizar toda essa gente.

É nesse filão que Doria aposta: ficar com a parcela “mais esclarecida” da nova direita que surgiu das urnas.

Se perder sabe-se lá qual será seu destino político.

A chance de tentar algo em São Paulo daqui a dois anos é improvável – na capital Doria está mais sujo que pau de galinheiro.

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