
O Exército de Israel ordenou, nesta quarta-feira (8), que moradores da cidade de Tiro, no sul do Líbano, deixassem imediatamente a área e seguissem para o norte do rio Zahrani, e bombardeou a região em mais um sinal de que o cessar-fogo anunciado entre Estados Unidos e Irã não reduziu a ofensiva israelense no território libanês.
A advertência foi feita poucas horas depois de o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmar que a trégua não se aplica ao Líbano, onde os combates com o Hezbollah seguem em curso.
A ordem de evacuação reforçou o clima de urgência em Tiro, cidade estratégica do sul libanês que já vinha sob pressão desde o agravamento do conflito regional. Segundo a Reuters, a instrução israelense antecedeu novos ataques e se somou à maior onda de bombardeios contra o Líbano desde o início da atual guerra com o Hezbollah.
A escalada ocorreu mesmo após fontes libanesas próximas ao grupo afirmarem que a organização havia suspendido os disparos contra o norte de Israel e contra tropas israelenses em território libanês como parte do cessar-fogo mediado entre Washington e Teerã.
Apocalyptic scenes in Lebanon’s capital right now.
Israel has launched 100 airstrikes on Lebanon in 10 minutes.
Striking South Lebanon, Beirut and the Bekaa Valley simultaneously.
This isn’t a ceasefire.
It’s mass bombardment of civilian areas. pic.twitter.com/ygTf2Pscrn
— sarah (@sahouraxo) April 8, 2026
A decisão de Netanyahu aprofunda a divergência sobre o alcance real do acordo. Enquanto o premiê paquistanês Shehbaz Sharif havia indicado que a trégua poderia abrir espaço para uma descompressão mais ampla na região, Israel adotou posição contrária e deixou claro que continuará atacando alvos do Hezbollah. O gabinete de Netanyahu declarou apoio à pausa nas ações contra o Irã, mas ressaltou que o front libanês permanece fora desse entendimento.
Na prática, o resultado foi a manutenção da guerra em duas velocidades: uma pausa temporária entre Estados Unidos, Israel e Irã no eixo principal do conflito, mas continuidade dos bombardeios no Líbano.
A Reuters informou que os ataques israelenses desta quarta foram os mais intensos desde o início da campanha atual, atingindo Beirute, o Vale do Bekaa e o sul do país. O Ministério da Saúde libanês relatou dezenas de mortos e centenas de feridos, em um quadro que amplia a devastação e o deslocamento forçado de civis.
A guerra no Líbano se intensificou depois que o Hezbollah, aliado do Irã, abriu fogo contra Israel em resposta à escalada regional. Desde então, a ofensiva israelense já matou mais de 1.500 pessoas no país e deslocou cerca de 1,2 milhão, segundo a Reuters.