Israel ignora cessar-fogo EUA-Irã e bombardeia o sul do Líbano

Atualizado em 8 de abril de 2026 às 12:02
Fumaça em Tiro, no sul do Líbano. Foto: Reuters

O Exército de Israel ordenou, nesta quarta-feira (8), que moradores da cidade de Tiro, no sul do Líbano, deixassem imediatamente a área e seguissem para o norte do rio Zahrani, e bombardeou a região em mais um sinal de que o cessar-fogo anunciado entre Estados Unidos e Irã não reduziu a ofensiva israelense no território libanês.

A advertência foi feita poucas horas depois de o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmar que a trégua não se aplica ao Líbano, onde os combates com o Hezbollah seguem em curso.

A ordem de evacuação reforçou o clima de urgência em Tiro, cidade estratégica do sul libanês que já vinha sob pressão desde o agravamento do conflito regional. Segundo a Reuters, a instrução israelense antecedeu novos ataques e se somou à maior onda de bombardeios contra o Líbano desde o início da atual guerra com o Hezbollah.

A escalada ocorreu mesmo após fontes libanesas próximas ao grupo afirmarem que a organização havia suspendido os disparos contra o norte de Israel e contra tropas israelenses em território libanês como parte do cessar-fogo mediado entre Washington e Teerã.

A decisão de Netanyahu aprofunda a divergência sobre o alcance real do acordo. Enquanto o premiê paquistanês Shehbaz Sharif havia indicado que a trégua poderia abrir espaço para uma descompressão mais ampla na região, Israel adotou posição contrária e deixou claro que continuará atacando alvos do Hezbollah. O gabinete de Netanyahu declarou apoio à pausa nas ações contra o Irã, mas ressaltou que o front libanês permanece fora desse entendimento.

Na prática, o resultado foi a manutenção da guerra em duas velocidades: uma pausa temporária entre Estados Unidos, Israel e Irã no eixo principal do conflito, mas continuidade dos bombardeios no Líbano.

A Reuters informou que os ataques israelenses desta quarta foram os mais intensos desde o início da campanha atual, atingindo Beirute, o Vale do Bekaa e o sul do país. O Ministério da Saúde libanês relatou dezenas de mortos e centenas de feridos, em um quadro que amplia a devastação e o deslocamento forçado de civis.

A guerra no Líbano se intensificou depois que o Hezbollah, aliado do Irã, abriu fogo contra Israel em resposta à escalada regional. Desde então, a ofensiva israelense já matou mais de 1.500 pessoas no país e deslocou cerca de 1,2 milhão, segundo a Reuters.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.