“Israel tem o direito de existir?”: eis a resposta correta à hipocrisia da mídia sobre isso

Atualizado em 21 de março de 2026 às 11:29
Israel exerce seu “direito de existir” em Gaza

Eu já disse isso algumas vezes, mas é triste admitir que a voz mais eloquente no mundo contra as atrocidades de Israel é a do maior influenciador conversador, Tucker Carlson, fenômeno de público nas redes.

Ex-âncora da Fox, ex-fã doente de Donald Trump, Carlson foi expulso do MAGA por sua posições firmes, inteligentes e corajosas sobre o governo Netanyahu e o envolvimento dos EUA nas guerras dos sionistas.

Ele foi entrevistado por Zanny Minton Beddoes, editora-chefe da Economist, bíblia liberal falsamente lida por jornalistas ignorantes e pretensiosos do Brasil, e fez picadinho de um senso comum ao ser desafiado se Israel tem o “direito” de existir.

Um conceito que tem sido repetido e absorvido por décadas, sem questionamento. Simplesmente aceito como uma verdade imutável. Carlson questionou a premissa frequentemente repetida do “direito à existência” de Israel.

Durante a conversa com Beddoes, Carlson desafiou a entrevistadora a esclarecer o que exatamente significa essa frase, um termo que foi incorporado à narrativa política sem reflexão crítica. A coisa se desenrolou da seguinte forma:

MINTON BEDDOES: Você é crítico do governo de Israel. Você acredita no direito de Israel de exisirt? Você se consideraria um sionista, nesse sentido restrito?

CARLSON: O que isso significa, um direito à existência?

MINTON BEDDOES: A existência do estado político de Israel.

CARLSON: Mas ele tem direito [de existir]. O que isso significa?

MINTON BEDDOES: Que você acha que Israel deve continuar existindo como um estado agora. Você não concorda com o Irã, por exemplo.

CARLSON: Deixe-me apenas perguntar, já que você me fez a pergunta, é justo que eu faça você definir o termo para que eu possa responder. Você fez duas perguntas. A primeira foi: você acredita que Israel tem um direito à existência? E a segunda foi: você acredita que Israel deve continuar existindo como um estado-nação? E essas são perguntas muito diferentes.

MINTON BEDDOES: Tendo sido criado como uma entidade política em 1948…

CARLSON: Ele tem um direito à existência? É isso que você está perguntando?

MINTON BEDDOES: Eu não quero ficar preso a esse direito de… ele deve continuar existindo. Isso é o que eu definiria como uma definição restrita…

CARLSON: Porque a frase que você usou foi elaborada pelo governo israelense, é claro. Israel tem um direito à existência? Então, minha pergunta para você seria: o que isso significa?

MINTON BEDDOES: Por que você não responde à minha pergunta? É uma pergunta muito simples.

CARLSON: Eu não sei qual é a sua pergunta. Você está perguntando, ele tem o direito de existir ou eu quero que ele exista? Eu busco sua destruição?

MINTON BEDDOES: Tudo bem. Responda assim.

CARLSON: Bem, claro que eu não busco sua destruição. Eu já disse, como você sabe, porque já disse isso a você, eu não quero que Israel seja destruído ou que precise usar armas nucleares.

Apesar da constante invocação do “direito à existência” em relação a Israel, essa não é uma questão legal internacionalmente reconhecida. Sob a lei internacional, nenhum estado tem um “direito à existência”. Ao mesmo tempo, o direito à autodeterminação, que é a ideia de que todos os povos têm o direito de determinar seu próprio destino ao formar suas próprias entidades políticas, é um princípio fundamental do direito internacional.

Eu de maneira alguma sou um sionista. Eu não quero que nenhum país seja destruído, e não quero que pessoas morram, especialmente aquelas que não cometeram crimes, porque eu não acredito em matar inocentes, ponto final. Isso é a base da civilização ocidental. A civilização oriental, tem uma visão totalmente diferente. Eles acreditam em punição coletiva, eu não.

MINTON BEDDOES: Então você de maneira nenhuma é um sionista.

CARLSON: Eu nem sei o que isso significa. Por que você não define o termo e então eu lhe direi se sou ou não.

MINTON BEDDOES: Eu acabei de definir. Um sionista, nos meus termos restritos, essa definição, é que o estado de Israel, o estado político de Israel, tem o direito de continuar existindo.

CARLSON: O direito? De onde vem esse direito? O que você quer dizer?! São como… eu não estou sendo um advogado sobre isso! Eu só quero saber o que você está perguntando!

MINTON BEDDOES: Você está se recusando a responder à pergunta.

CARLSON: É porque eu não sei o que você está me perguntando.

MINTON BEDDOES: Vamos para o próximo assunto…

CARLSON: Não, não. [risos] Você não quer definir sua pergunta, e eu não sei por quê. Eu não sei o que você está me perguntando. Eu já disse, eu não quero que Israel seja destruído. Eu não quero que ninguém seja morto. E você disse, Israel tem o direito de existir? E minha pergunta é, que direito você está falando? A Grã-Bretanha tem um direito à existência? Os Estados Unidos têm um direito à existência?

MINTON BEDDOES: Houve uma ordem mundial criada após 1945 que sugeriu que a agressão não deveria ser tolerada em países, que países com fronteiras têm…

CARLSON: Eu concordo totalmente com isso, por isso a primeira coisa que Israel fez, dentro de duas semanas após o início dessa guerra, que supostamente era existencial para eles, foi tomar o sul do Líbano, tomar o país de outro povo, como fizeram repetidamente. E ninguém sequer menciona isso. Então, eu acho que eu seria contra isso porque eu acho que, eu acho que o Líbano tem um “direito à existência”. Eu pensei que Gaza tivesse um “direito à existência”. Mas eu percebi que assim que começamos a distribuir direitos, só um país os recebe.

MINTON BEDDOES: Não, eu não disse isso. Você está absolutamente colocando palavras na minha boca.

CARLSON: Aqui está o que eu realmente acredito, já que você perguntou. Eu acredito em padrões aplicáveis universalmente, e se eles não forem universalmente aplicáveis, então não são padrões, são preferências. É por isso que eu acredito nos direitos humanos, não nos direitos étnicos. Eu não acho que os judeus tenham mais ou menos direitos que qualquer outra pessoa. Eu não acho que os cristãos tenham mais ou menos direitos, os negros, os filipinos. Eu acredito que os direitos humanos derivam da criação das pessoas por Deus.

 

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.