Itaipu denuncia dirigentes do Ueno Bank para recuperar cerca de US$ 180 milhões

Atualizado em 7 de novembro de 2026 às 19:49
Usina hidrelétrica de Itaipu
Usina hidrelétrica de Itaipu. Foto: Reprodução

A Itaipu Binacional apresentou uma denúncia criminal contra dirigentes do Ueno Bank para tentar recuperar cerca de US$ 180 milhões mantidos na instituição financeira, sob intervenção do Banco Central do Paraguai. O montante reunia US$ 163,8 milhões e 115,2 bilhões de guaranis em depósitos. Com informações de O Globo.

Em comunicado, a binacional informou que os valores estavam no Ueno Bank em 3 de novembro e que iniciou as operações com a instituição em janeiro de 2025. A quantia equivale a aproximadamente R$ 950 milhões.

A Diretoria Jurídica Executiva da Itaipu levou a denúncia contra integrantes da diretoria, administradores, fiscais e outros responsáveis pelo banco. O documento aponta possíveis crimes de estelionato, gestão desleal, conduta indevida em situação de crise e violação do dever de manter livros contábeis.

Intervenção atingiu mais de 3 milhões de contas

Manifestantes diante da casa de Santiago Peña em Assunção
Manifestantes protestam diante da casa de Santiago Peña no bairro Mbocayaty, em Assunção. Foto: Reprodução

O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank após identificar que o índice de solvência da instituição estava abaixo de 50% do mínimo exigido. A apuração sobre irregularidades também levou à paralisação das operações de mais de 3 milhões de contas.

A denúncia cita Federico Miguel Vázquez Villasanti, Juan Manuel Gustale, Julio Daniel Rey Fernández e Diana Leticia Mongelos González, além de outros membros da diretoria e do conselho fiscal da instituição.

O caso ganhou dimensão política no Paraguai porque órgãos públicos também concentravam recursos no banco. Depósitos de instituições estatais e do Instituto de Previdência Social (IPS) somavam 4,9 trilhões de guaranis, valor estimado em cerca de R$ 4,2 bilhões.

A ação da Itaipu também alcança recursos transferidos à Fundação Parque Tecnológico Itaipu-Paraguai para projetos específicos. A binacional sustenta que o dinheiro tem origem em seu patrimônio, mesmo quando as contas estão formalmente registradas em nome da fundação.

No pedido, a Itaipu solicitou que os fatos sejam examinados junto à investigação criminal já aberta sobre o Ueno Bank, para evitar procedimentos duplicados. A entidade também informou que poderá atuar como assistente da acusação e cobrar indenizações.

Os depósitos permaneceram no banco mesmo depois de o Banco Central abrir, em setembro, um procedimento para investigar operações entre empresas vinculadas à instituição financeira.

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