Itamaraty: Brasil estará no Conselho de Segurança da ONU para discutir ataque à Venezuela

Atualizado em 3 de janeiro de 2026 às 19:23
O Conselho de Segurança da ONU durante uma reunião em 29 de dezembro de 2025.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai participar da reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas convocada para discutir a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela. O encontro está marcado para a próxima segunda-feira (5) e foi solicitado pela Colômbia, segundo informações de delegações envolvidas nas negociações diplomáticas.

A reunião terá caráter aberto, o que permite a participação de países que não ocupam assento no Conselho de Segurança. O Brasil não integra atualmente o colegiado, mas manifestou formalmente interesse em se pronunciar. A presidência do órgão, exercida neste mês pela Somália, autorizou a ampliação do debate.

A missão da Venezuela junto à ONU também pediu a convocação da sessão extraordinária. China e Rússia, membros permanentes do conselho, apoiaram a realização da reunião, de acordo com fontes com conhecimento direto das articulações diplomáticas.

A ofensiva dos Estados Unidos ocorreu no sábado (3) e incluiu bombardeios em Caracas, além da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Trata-se da mais ampla intervenção militar direta dos EUA na América Latina em décadas.

Nicolás Maduro

Em declaração pública, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Maduro foi levado para Nova York, onde será julgado por acusações de narcoterrorismo e crimes ligados ao tráfico de drogas. Horas depois, Trump declarou que os EUA irão governar a Venezuela até que ocorra uma transição política.

Ainda segundo o presidente americano, a exploração do petróleo venezuelano passará a ser conduzida por empresas dos Estados Unidos, com a promessa de recuperação da infraestrutura energética do país. As falas reforçaram o caráter econômico da intervenção.

O Conselho de Segurança da ONU é composto por cinco membros permanentes — Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia — e dez membros rotativos com mandatos de dois anos. Além da Colômbia, fazem parte atualmente do grupo países como Dinamarca, Grécia, Paquistão e Panamá.

Lula se manifestou nas redes sociais repudiando a ação militar. O presidente afirmou que ataques a outros países, em violação ao direito internacional, representam um passo perigoso rumo à instabilidade global e reiterou que a posição brasileira mantém coerência com manifestações anteriores em defesa do multilateralismo.