Jacarezinho: 6 fuzis, 25 mortos; Vivendas da Barra: 117 fuzis, 0 mortos

Policiais civis durante operação no Jacarezinho. Foto: Mauro Pimental/AFP

Nesta quinta (7), a operação mais letal do Rio de Janeiro deixou 25 mortos e apreendeu 6 fuzis.

Em contrapartida, em 2019, a polícia encontrou 117 fuzis no condomínio Vivendas da Barra.

Não houve nenhum morto, mesmo sendo a maior apreensão de fuzis na história do Rio.

O dono da casa onde foram encontradas as armas era uma pessoa próxima ao miliciano Ronnie Lessa, suspeito de matar Marielle Franco.

A comparação mostra, mais uma vez, a diferença entre Alphaville e “Alphavella”.

Em 2019, quase metade das apreensões de fuzis (47%) e um terço (31%) das apreensões de pistolas foram feitas em ocorrências com mortes pela polícia do estado, conforme mostrou a Folha.

No entanto, no ano em que o Rio atingiu recorde histórico de mortes provocadas pela polícia, houve 162 assassinatos por agentes sem apreensão de arma de fogo ou explosivo.

Somente 13% foram mortos com apreensão de fuzil e 60% com pistola.

A busca por armamento é normalmente justificada como desculpa para a alta letalidade da polícia do Rio.

Por isso, em 2020, o Supremo Tribunal Federal limitou a realização de operações policiais a situações “absolutamente excepcionais” durante a pandemia.

A decisão resultou, em seu primeiro mês, na diminuição de 72,5% no número de mortes e 50% no número de feridos em decorrência de ações ou tiroteios.

Mesmo assim, o delegado Rodrigo Oliveira taxou a liminar como “ativismo judicial”, seguindo o discurso de Bolsonaro.

O delegado já assumiu que teve participação em uma chacina em 2017, conforme mostrou o EXTRA.

Em depoimento, ele assumiu a autoria da operação que deixou oito mortos e um ferido no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ).

No entanto, à época, Oliveira apresentou uma contradição com outros 18 depoentes.

Ele alegou que as vítimas eram “homens armados disparando contra forças de segurança”, enquanto os demais agentes disseram que avistaram homens baleados, mas não informaram as circunstâncias.

O delegado elogiou “os resultados da operação” em Jacarezinho, da mesma forma que o fez outrora.

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