Jack Bauer não morreu: por que a premiada série “24 Horas” voltou, segundo Kiefer Sutherland

 

Depois de anos na expectativa de levar “24 Horas” para o cinema, Kiefer Sutherland não podia esperar mais. Jack Bauer está de volta à TV com a mesma fúria implacável e a extrema urgência que transformaram “24 Horas” em uma das séries mais bem sucedidas da história. No Brasil, passa no canal Fox.

Depois de um período sabático de quatro anos, em que Bauer passou por um retiro budista, ele está está em Londres, sendo caçado pela agente da CIA Kate Morgan (Yvonne Strahovski). Desde que “24 Horas” foi suspensa em 2010, após oito temporadas de sucesso, Sutherland estava ansioso para levar Jack Bauer para o nível seguinte, na forma de um filme.

No entanto, o financiamento e conflitos internos fizeram com que Sutherland e o criador / produtor Howard Gordon decidissem que era melhor ressuscitar “24 Horas” na televisão enquanto ela ainda ressoava na memória do público.

Com o relançamento de “24 Horas”, as audiências terão outra série espetacular numa lista que engloba “Mad Men”, “Breaking Bad”, “Homeland” e “Game of Thrones”, cujo conteúdo é imensamente melhor do que os blockbusters irracionais dos estúdios de Hollywood.

O que distinguiu “24 Horas” não era apenas o fato de ser em tempo real, deixando os espectadores constantemente no limite, mas também a sua tentativa de mostrar uma realidade pós 11 de setembro. Londres foi escolhida como o local da nova temporada, em parte, por razões relacionadas ao enredo — Bauer está oficialmente no exílio e não pode voltar para os EUA –, mas também porque Sutherland nasceu ali (seu pai é o grande Donald Sutherland) e tem muitos amigos no Reino Unido.

Nesta entrevista, Kiefer fala da vida longa do seriado, por que quis ressuscitar Jack Bauer e como recuperou o tempo perdido com seu pai.

O que Jack Bauer vai enfrentar agora?

Há uma ameaça terrorista e Jack, como sempre, vai passar um tempo difícil. Ele está em um lugar muito diferente. Está com raiva e ressentido por ter sido forçado a viver no exílio e se esconder na Europa Oriental durante os últimos quatro anos. Foi afastado de sua família e dos amigos e se sente uma vítima da política.

Há uma frieza e uma constante sensação de ameaça. Ele mudou no sentido de que, no passado, podia confiar em alguém e agora não pode mais. Jack é um pouco mais assustador agora.

Esse personagem representou uma segunda chance para você. 

Ele significou muito para mim, tanto pessoalmente quanto profissionalmente. Fazer parte da série restaurou a minha fé em mim e me deu uma maior confiança como ator, algo que eu nunca tive antes. Quando a série acabou, foi mais por cansaço do que qualquer outra coisa.

Como você descreveria a diferença entre o Kiefer Sutherland de hoje e o sujeito que você definiu como “angry young man” quando tinha 20 anos? [Ele tem um histórico de drogas, álcool e escândalos. Em 1991, a atriz Julia Roberts cancelou o casamento depois que surgiram fotos do ator com uma stripper).

Jack Bauer foi minha ressurreição, de certo modo. Me trouxe de volta aos olhos do público depois que eu me auto-sabotei anos antes. Eu tenho tido mais tempo para as pessoas que eu amo e eu sou muito mais capaz de apreciar todos os momentos bons com amigos e entes queridos. Ao longo da minha vida, eu só descobri muitos anos depois que devo muito do meu sucesso na carreira às pessoas que pegaram o telefone para me apoiar. Cheguei a um ponto em que eu queria aproveitar cada momento e não deixar as coisas se destruírem por não estar presente. Já estava na hora de crescer.

Por que demorou tanto para você ficar amigo de seu pai?

Eu cresci e ele deixou de ser um pé no saco… Como adolescente, eu achava que tinha de me tornar esse personagem rebelde vulgar como uma forma de provar para o mundo que eu era alguém diferente, alguém que sabia que o mundo estava cheio de merda.

Eu nem sequer vi os filmes dele até completar 17 ou 18 anos porque eu tinha essa raiva dele… Eu gostava de atormentar meu pai sem uma boa razão e estou feliz que ele não tenha guardado mágoa disso.

Um dos momentos de resgate da minha vida foi ter feito as pazes com meu pai e termos sido grandes amigos há 20 anos. Nós aprendemos a rir acerca de toda a porcaria que se passou entre nós, o tipo de porcaria que geralmente separa pais de filhos. Aprendi a apreciar o grande homem e o ator brilhante que é meu pai.

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