
O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, afirmou nesta terça-feira (21) que não pretende aderir a críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) com foco eleitoral. A declaração foi feita em meio a debates sobre a atuação da Corte e a relação com o Congresso Nacional. Com informações do Estadão.
Wagner disse que, apesar de discordar de algumas decisões do STF, não seguirá pressões políticas. “Eu sou um cara de jogo de cintura, mas não chego ao teatro rebolado”, afirmou. Em seguida, completou: “Se para voltar aqui eu tiver que voltar fantasiado, prefiro não voltar. Se for para ser conduzido, é melhor mudar de ramo”.
O senador também mencionou que já apoiou mudanças no funcionamento do STF. Em 2023, ele votou favoravelmente a uma proposta de emenda à Constituição que buscava restringir decisões individuais de ministros, mas afirmou que não pretende “ir na onda da galera”.
O tema voltou ao centro do debate político após discussões sobre a criação de um código de ética para o Supremo, proposta que deve ser analisada pelo PT durante seu congresso partidário neste fim de semana, em Brasília.
Wagner comentou ainda o posicionamento do ministro Flávio Dino, que se manifestou sobre o tema. Dino afirmou que “mudanças superficiais, assentadas em slogans fáceis, ou de caráter puramente retaliatório, não fortalecem o Brasil”, ao tratar das propostas envolvendo o funcionamento da Corte.

No contexto da CPI do Crime Organizado, o senador também avaliou o relatório que sugeriu o indiciamento dos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Após a rejeição do documento, Gilmar Mendes solicitou investigação contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) por abuso de autoridade.
Wagner afirmou que não tem controle sobre decisões do Judiciário e comentou o cenário político. “Se você me perguntar se politicamente é bom, eu digo: ‘não’. O cara (Vieira) acaba virando vítima. Mas eu não comando a caneta nem do Gilmar nem do Alexandre”, disse. Ele também declarou: “Seguramente, não foi Lula que pediu isso”.