Jair e Flávio Bolsonaro divergem de estratégia do PL para o Senado; entenda

Atualizado em 4 de abril de 2026 às 11:08
Jair e Flávio Bolsonaro. Foto: Sérgio Lima/Poder 360

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) definiu como prioridade para 2026 a formação de uma maioria de senadores favoráveis ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes. O golpista tem atuado pessoalmente na montagem da chapa do PL para o Senado, mesmo estando em prisão domiciliar desde a semana passada, após receber alta médica e deixar a internação.

A estratégia mira 2027, quando os eleitos neste ano tomarão posse e poderão alterar a correlação de forças na Casa. No entanto, ele esbarra em uma postura considerada moderada do seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.

Segundo a Folha, Bolsonaro tratou a disputa pelo Senado como eixo central de sua reorganização política nos últimos meses. Durante o período em que esteve internado e depois na Papudinha, antes da domiciliar, recebeu visitas e discutiu nomes para a eleição.

A intenção é eleger aliados suficientes para controlar o Senado, escolher o futuro presidente da Casa e destravar pautas que hoje enfrentam resistência, como pedidos de impeachment contra ministros do STF. O ex-presidente quer inclusive ampliar a presença da própria família no Senado, com Michelle no Distrito Federal e Carlos Bolsonaro em Santa Catarina.

A estratégia do PL já está em andamento. Segundo levantamento citado, o partido tem 35 nomes lançados ou cogitados para o Senado e pretende apresentar ao menos um candidato próprio em cada estado, com exceção, até agora, do Amapá.

Nos cálculos de Bolsonaro, a direita bolsonarista, somando o PL e siglas aliadas como o Novo, poderia eleger até 35 senadores e ultrapassar a marca de 41 cadeiras em 2027, número suficiente para assegurar maioria na Casa. Neste ano, cada estado elegerá dois representantes, o que significa a renovação de 54 das 81 vagas do Senado.

Carlos Bolsonaro. Foto: reprodução

O discurso mais agressivo sobre o STF tem sido vocalizado principalmente por Eduardo Bolsonaro e por pré-candidatos ao Senado. Em evento conservador nos Estados Unidos, o ex-deputado afirmou: “Os futuros senadores vão ‘impichar’ o Alexandre de Moraes. Vamos chutar para fora esses juízes corruptos. No dia seguinte, eu vou processá-lo pelos crimes que ele cometeu”.

Já o deputado Sanderson, que disputará o Senado pelo Rio Grande do Sul, disse que obter maioria é importante para Bolsonaro “porque ele é a vítima da maior perseguição da história do Brasil”. “A Suprema Corte está fora de controle, e quem pode fazer o controle é o Senado, só que nunca fez. Nós vimos que a maneira de tentar corrigir os rumos do Brasil era vencermos o Senado”, afirmou.

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro tenta adotar uma linha menos beligerante. Segundo a reportagem, o senador evita transformar o embate com o STF no centro de sua pré-campanha presidencial e prefere priorizar críticas ao governo Lula e propostas de gestão. A avaliação de aliados é que o confronto direto com os demais Poderes pesou na derrota de Jair Bolsonaro em 2022 e não deve ser repetido.

Ainda assim, Flávio mantém apoio protocolar ao impeachment de ministros quando provocado. “Vou defender sempre que, se comprovado crime de responsabilidade, sofra impeachment. No meu ponto de vista, houve infringência, como participação político-partidária e decisões sem embasamento legal onde o magistrado deveria se declarar impedido. Manterei minha postura favorável ao impeachment de ministro que descumpra a lei; isso não é antidemocrático”, declarou.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.