Jaques Wagner: a CPI da Covid, o crime e o erro. Por Valter Pomar

Jaques Wagner. Foto: Reprodução/Twitter

Publicado originalmente no blog do autor

POR VALTER POMAR, historiador

Está no Diário do Centro do Mundo: “Não vou contestar decisão judicial. Mas sigo com a mesma posição: nossas energias, nesse momento, precisam estar voltadas para garantir vacina para toda a população. Nada é mais prioritário”.

A frase não é de um senador bolsonarista.

A frase não é de um senador da direita gourmet.

A frase é do senador Jaques Wagner, que segundo o DCM não teria assinado o pedido da CPI.

Jaques Wagner sabe que Bolsonaro é um criminoso. Mas afirma que não é hora de fazer CPI: “Depois vamos atrás de responsabilizar os culpados, o que não será muito difícil, já que o presidente da República é réu confesso, insensato e insensível diante do sofrimento do povo brasileiro”.

Quem quiser conferir, procure no seguinte endereço: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/jaques-wagner-se-declara-contra-criacao-da-cpi-da-covid/

Talvez tudo isto seja noticiário fake.

Talvez o senador solte logo mais uma nota explicando que não pensa exatamente isso.

Ou solte uma nota pedindo desculpas, como fez recentemente a deputada Marilia Arraes.

Mas tenho a impressão que o senador Wagner é mais parecido com o deputado Merlong, que votou a favor da vacinação privada e ainda se vangloria disto.

Ademais, sua posição é totalmente coerente com a posição expressa em artigo recente no qual “passa o pano” nas forças armadas.

Tal artigo está citado aqui: http://valterpomar.blogspot.com/2021/04/jaques-wagner-e-as-forcas-armadas.html

A posição de Wagner me faz recordar uma história decimonónica.

Napoleão mandou executar um duque.

Isso obviamente gerou uma reação das monarquias europeias.

Aí um famoso aliado de Napoleão, Talleyrand, disse uma frase clássica: “Pior do que um crime, foi um erro estúpido.”

Wagner não é Napoleão, mas sua atitude é pior do que um crime. É um erro.

Afinal, a melhor e mais efetiva maneira de defender a vida é fazendo o máximo de luta política contra o governo Bolsonaro e contra seus  aliados.

Ao se posicionar contra a CPI, Jaques Wagner não está priorizando a vida.

Está contribuindo para que Bolsonaro e seus amigos militares continuem praticando um genocidio contra a vida do povo brasileiro.

ps. um companheiro me escreveu ponderando que só “teremos um representante, em onze membros da CPI”, que a “correlação de forças será muito desfavorável”. E que Jaques Wagner deve estar preocupado, também, com os ataques aos governos e prefeituras do PT e da oposição. Já foram feitas anteriormente várias operações intimidatórias, a ofensiva vai crescer”. Entretanto, o companheiro enfatiza que o “PT precisa estar coeso na defesa da CPI, que é um instrumento da oposição e que pode desestabilizar e abrir espaço para interditar Bolsonaro”. Acrescento: o problema central do argumento de Wagner é a contraposição entre “defender a vida” versus fazer luta política. O correto é o contrário. Defender a vida é lutar contra Bolsonaro.