Jean Wyllys: “Carluxo é um vilão odioso e capaz de atrocidades, mas burro”

Carlos Bolsonaro. Foto: Reprodução/Instagram

Publicado originalmente no Instagram de Jean Wyllys 

Carluxo é o grande e maior vilão dessa tragédia chamada “Governo da família Bolsonaro”. Seria a pior das três filhas do “Rei Lear”. Shakespeare antecipou seu caráter séculos atrás ao criar também Iago, de “Otelo”.

Invejoso, cheio de vergonha de si (homofobia internalizada fruto da repressão paterna desde a infância), buscando – numa ambiguidade de sentimentos já descrita por Freud e, depois, Lacan como característica do típico perverso – ao mesmo tempo, agradar e superar o pai, Carluxo, como os vilões das tragédias gregas e shakespearianas, não consegue fugir de seu destino trágico de produzir uma desgraça, a desgraça.

Este fato, aliás, agrada-me: Carluxo já é e será mais ainda a ruína do governo Bolsonaro, já assombrado pelo poderoso espectro de Marielle Franco – como o espectro do pai de Hamlet assombrava o rei e a rainha conspiradores; como o espectro do comunismo que assombrava a Europa injusta e desigual do século XIX (como o é a Europa do século XXI, esse mero jogo de posições de algarismos romanos) – Marielle Franco, cujos assassinos têm ligações ainda não esclarecidas com a família do presidente.

Carluxo desdenhou de Rodrigo Maia; atacou sua honra ao levantar suspeitas sobre sua honestidade; afrontou publicamente o presidente da Câmara, ao apoiar o narcisista menor e desqualificado Sérgio Moro, espécie de Macbeth vulgar e subjetivamente muito mais raso, mas dirigido por um arremedo de Lady Macbeth ressentida e cafona; Carluxo fez tudo isso mesmo sabendo que a aprovação da Reforma da Previdência (leia-se: fim da aposentadoria dos trabalhadores e privilégios para os mais ricos) – única agenda que ainda mantém seu pai louco e doente no palácio do Planalto – depende de Rodrigo Maia e mais ninguém.

Maia é o oficial pragmático, mas temperamental. Não tolera a ingratidão tampouco o veneno de Carluxo. Este é, portanto, um vilão odioso e capaz de atrocidades, mas burro. Ao fim dessa tragédia tupiniquim, Carluxo terá sua punição (assim como seu pai e seus irmãos). E não se espantem se esta punição vier não das mãos da Justiça humana, mas das mãos do amante posto na sombra.

Carluxo não vai fazer ideia das referências contidas nesse texto.

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