Jejum convocado por Bolsonaro e pastores contraria o que Cristo disse no famoso Sermão da Montanha

Edir Macedo e Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Twitter

Não há nada mais anticristão o jejum que Bolsonaro e pastores bolsonaristas convocaram para hoje.

Isso mesmo.

Ignorante, Bolsonaro desconhece a orientação que Cristo dá a seus discípulos sobre jejum, mas os pastores certamente já leram os versos 16, 17 e 18 do capítulo 6 do livro de Mateus, que faz parte do Sermão da Montanha:

Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.

Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto, com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

Bolsonaro anunciou o jejum como medida para combater o coronavírus, depois que se encontrou com um grupo de pastores na frente do Palácio do Alvorada.

O grupo orou por ele e pediu que convocasse a nação para um jejum, pois, como chefe do Executivo, tem “autoridade”, segundo eles. Bolsonaro até gravou um recado para outros grupos evangélicos e “proclamou” este domingo como um dia nacional de jejum no Brasil.

“Sou católico e minha esposa, evangélica. É um pedido dessas pessoas. Estou pedindo um dia de jejum para quem tem fé. Então, a gente vai, brevemente, com os pastores, padres e religiosos anunciar. Pedir um dia de jejum para todo o povo brasileiro, em nome, obviamente, de que o Brasil fique livre desse mal o mais rápido possível”, disse ele.

Para quem crê, jejum e oração têm validade, é claro.

Mas, da forma como foi colocado, é uma ação política para se opor aos esforços da equipe do Ministério da Saúde, que tem se comprometido com critérios técnicos e científicos para enfrentar a pandemia.

É como deve ser em qualquer país civilizado, e esse padrão de comportamento não se choca com a fé.

O ministro Luiz Henrique Mandetta, por exemplo, é católico fervoroso, de fazer novena. E se bateu de frente com Bolsonaro por defender essa posição. Bolsonaro quer o fim do isolamento social, para que o comércio volte a funcionar.

Seguir rigorosamente orientação técnica no combate ao coronavírus é o que todos deveriam fazer, o cristão especialmente.

Usar a ciência como aliada numa ação para evitar — ou atenuar — o sofrimento do outro é a melhor forma de mostrar que não é cristão apenas da boca para fora.

Se quiser fazer jejum, que faça, mas não como um espetáculo público que faz parte de um movimento de disputa de poder.

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