Jennifer Lawrence fala ao Diário sobre o lado bom da vida (e o lado ruim da fama)

A ganhadora do Oscar de melhor atriz conta sobre a dureza de ser uma pessoa normal com milhões no bolso.

Não dei para mais ninguém
“Eu nunca tive problema com a maneira como os caras olham para mim”

 

Vestindo um deslumbrante Dior, Jennifer Lawrence tropeçou em seu caminho até as escadas para pegar seu Oscar de Melhor Atriz por “O Lado Bom da Vida”. Enquanto estava no palco, ela se recuperou da queda e fez uma piada: “Obrigada, vocês estão me aplaudindo de pé porque ficaram chateados com o fato de eu ter caído no chão”.

Depois de ter sido ungida como a mais nova “It Girl” de Hollywood, a alta e radiante belle do Sul tem pavimentado seu caminho através da indústria com uma natureza solta e desinibida. Ela não tem nenhum problema em fazer comentários como “meus peitos têm vida própria, eles gostam de saltar ao redor…”; ou, quando solicitada nos bastidores a comentar sobre seu tropeço: “O que passou pela minha cabeça? Uma palavra que eu não posso dizer, mas começa com F…”.

Embora o filme seja mais uma comédia do que um drama – sobre um homem lutando para conseguir sua vida de volta após uma estadia em um hospital psiquiátrico -, ele carrega uma mensagem séria sobre doença mental. “Eu não acho que nós vamos nos livrar do estigma da doença mental. Espero que o filme ajude. Se você tem asma, toma medicamento para asma Se você tem diabetes, toma remédio para diabetes Se você tem que tomar a medicação para a sua mente, ainda há um estigma”.

Jeniffer Lawrence é uma atriz talentosa com uma aura sensual que a ajudou a chegar ao auge de sua profissão com a idade de 22 anos. Depois de estrelar com sucesso a bomba “Jogos Vorazes”, ela interpreta uma viúva volátil e sexualmente ativa que se apaixona por Pat (Bradley Cooper), um professor bipolar, em “O Lado Bom da Vida”.

“Eu tenho sorte… Realmente não tenho nenhum talento, exceto para o tiro com arco, que aprendi em ‘Jogos Vorazes’”, diz. “Eu ia mal na escola, era péssima em esportes, e não estava interessada em outra coisa que não fosse me tornar uma atriz.”

Essa é uma atitude refrescante na indústria. Ao contrário de outras atrizes jovens e gostosas, como Kristen Stewart, que vive amuada e sofre por ofício, Jeniffer Lawrence é agradável e suave. Por vezes, se esquece de que é famosa, até perceber que uma dúzia de paparazzi a estão perseguindo em seu Volkswagen alugado através de Los Angeles. Levou uma cantada de Jack Nicholson e reagiu como uma fã pega de surpresa pelo velho conquistador.

Ela recentemente terminou de filmar a sequencia de “Jogos Vorazes”, “Catching Fire”, em Atlanta, e está contemplando deixar Los Angeles, uma cidade que considera “muito confusa”, e mudar para Nova York. Pessoalmente, alterna entre observações sérias sobre a vida e a despreocupação juvenil. Sua voz natural é mais profunda e rouca do que o registo mais elevado que aparece em seus papéis no cinema.

Você está acostumada com a idéia de ser uma estrela de cinema famosa?

Não. Eu ainda posso andar por aí na maioria das cidades, sem ser reconhecida, e me sentar em cafés e ser normal. Acho muito estranho fazer entrevistas porque odeio falar sobre mim mesma e não acho que levo uma vida muito interessante ou emocionante.

Existe algum perigo em você se transformar numa diva mimada?

Nunca. Talvez, se eu fosse um médico salvando a vida das pessoas, eu poderia ser um pouco arrogante ou afetada. Eu não acho que ser uma atriz me dê o direito de me sentir importante ou fingir ser qualquer coisa que não seja alguém com um lado criativo capaz de atrair a atenção de muita gente.

Você está rica?

Eu gosto da segurança financeira, porque sei o quanto é difícil para muitas pessoas lutar para ganhar o sustento. Eu sou tão grata de não precisar me preocupar com dinheiro, fazer algo que eu amo e ser paga por isso. Digo aos meus amigos para me baterem se acharem que estou ficando convencida. O lado negativo é que eu tive que sair do meu apartamento porque os paparazzi estavam vigiando minha casa todo dia em LA. Estar em Nova York ou Londres torna muito mais fácil ter uma vida comum.

“O Lado Bom da Vida” é uma comédia com subtexto bastante sério…

Eu gostei do humor da história, embora meu personagem Tiffany não seja leve. Tiffany é uma ex-ninfomaníaca que se apaixona à primeira vista por um cara que acabou de ser libertado de uma instituição psiquiátrica. Ambas são pessoas danificadas de alguma forma e estão tentando descobrir como viver, apesar de toda a porcaria com que tiveram de lidar.

Você disse que se recusa a passar fome ou ficar muito magra para fazer qualquer personagem. Aparentemente, o diretor David O. Russell lhe pediu o contrário.

Sim. David pediu-me para ganhar peso e eu lhe disse que não tinha problema com isso. Eu sei que há essa tendência de atrizes emagrecerem demais, mas eu prefiro ficar do jeito que sou. Eu nunca tive problema com a maneira como os caras olham para mim. Eu não acho que as mulheres precisam passar fome, e sim ter boa aparência. Eu vou à academia três ou quatro vezes por semana quando estou me preparando para um filme e gosto de fazer ioga porque é relaxante e me sinto bem depois das sessões. Não faço dieta, a menos que precise aparecer publicamente em roupas caras.

O repórter fez uma piada e recebeu um cumprimento de volta
O repórter fez uma piada nos bastidores do Oscar e recebeu um cumprimento de volta

Muitos homens ainda pensam em você como a Mystique de X-Men (ela interpretou o papel nua, embora pintada de azul)?

Aposto que sim! Essa foi provavelmente a coisa mais selvagem que já fiz como atriz. Quero dizer, basicamente, eu estava andando nua no set, o que levou algum tempo para eu me acostumar. Eu estava em muito boa forma nas filmagens, modéstia à parte. Não acho que eu precise passar fome para parecer atraente ou ser apreciada pelo meu trabalho. Eu gosto de ter algumas curvas.

Você é direta e desinibida assim ou é marketing?

Eu não quero apresentar uma versão fabricada de mim mesma. Eu às vezes faço o meu assessor de imprensa encolher quando começo a falar sobre alguma coisa escandalosa ou um pouco estranha. Eu não tenho tanto controle sobre a minha boca e não consigo me preparar sobre o que vou dizer antes de uma entrevista.

Você acha que mudou nos últimos anos desde que sua carreira decolou?

Eu não acho que eu tenha mudado muito… Ainda vivo praticamente da mesma forma. É muito raro eu sair à noite. Sou uma pessoa caseira e não tenho nenhum prazer em receber tratamento especial. Isso não significa nada para mim. Me sinto muito sortuda em ter atuado em alguns filmes bons, com grandes atores e diretores. Muito do meu sucesso tem sido um acidente.

Você disse estar ansiosa para ir embora de Los Angeles.

Tem sido frustrante ser perseguida pelos paparazzi quando vou às compras ou encho o tanque do meu carro. Uma vez eu estava com a minha mãe e um amigo e tivemos que parar porque ela mãe começou a ficar aflita com os jornalistas que nos seguiam. “Devia haver uma lei contra isso!”, ela falava. Eu não me sinto confortável em LA.

A fama e o dinheiro podem afetar sua vida, como acontece com a maioria dos atores?

Eu não consigo ver isso acontecendo comigo. Não levo a sério e não me sinto importante simplesmente porque meu rosto está em capas de revistas e tudo mais. A atenção que recebo é divertida, mas eu tenho a consciência interior de que não é real. O máximo que eu cheguei de achar que estou vivendo em outro mundo é quando fico em quartos de hotéis fabulosos. Serviço de quarto é a melhor coisa do mundo.

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