
O sociólogo Jessé Souza virou alvo de uma notícia-crime no Ministério Público Federal após afirmar que o criminoso sexual Jeffrey Epstein teria sido financiado por “lobby judaico”, conforme informações do colunista Lauro Jardim, do Globo. As declarações foram feitas em vídeo publicado na última segunda-feira (9) nas redes sociais e posteriormente excluído.
No conteúdo, Souza afirmou que Epstein seria o “produto mais perfeito do sionismo judaico”, que classificou como a “força motriz por trás de todos os crimes que foram cometidos”.
Também declarou: “A rede de pedofilia só existe para servir depois para a chantagem de Israel em relação a políticos e bilionários, especialmente americanos, para ter o apoio às práticas assassinas de Israel no Oriente Médio e na Palestina”, sem apresentar evidências.
As falas geraram críticas de integrantes da comunidade judaica, que apontaram teor antissemita. Diante da repercussão, o deputado estadual Guto Zacarias (União-SP) e o coordenador nacional do MBL Renato Battista acionaram o MPF para que o sociólogo seja processado criminalmente ou para que seja instaurado inquérito policial.
No documento encaminhado ao órgão, os autores sustentam que as declarações extrapolam a crítica política e configuram discurso antissemita direcionado ao povo judeu, e não apenas ao Estado de Israel.
Segundo os signatários, Souza “deu uma versão delirante, dizendo que estava claro que o escândalo foi promovido pelo Estado de Israel, com o objetivo de chantagear os políticos e empresários que usaram os serviços criminosos de Epstein”.

Resposta do sociólogo
No vídeo, o escritor também afirmou que “o holocausto judeu foi cafetinado pelo sionismo, com ajuda de Hollywood e de toda a mídia mundial” e disse que “assim como Israel, Epstein matava e violava meninos e meninas, americanos e de outros lugares, por uma autorização tácita e às vezes explícita do poder do lobby judaico no mundo”.
Procurado, Jessé Souza afirmou que não acusou indivíduos ou coletividades, mas uma “estrutura de poder”. Ele reconheceu que errou ao não separar devidamente as expressões “lobby sionista” e “judaico” e informou que retirou o vídeo do ar após perceber o equívoco.
O sociólogo também reiterou sua indignação diante do que chama de “completo silêncio durante dois anos sobre o genocídio palestino”