Quarenta anos sem Hendrix

Hendrix por Linda

QUARENTA ANOS sem Hendrix.

Você pode até não gostar dele, mas não há como deixar de reconhecer que ninguém no rock tocou como ele.
Hendrix parecia ter nascido com a guitarra.

O guitar hero por excelência. Tirou de uma guitarra tudo que ela podia dar. Não gosto de todo Hendrix, mas de algumas coisas gosto muito.

Angel, por exemplo. Fly on my sweet angel, fly on through the sky. Conheci pela versão dos Faces na era Rod Stewart, e me apaixonei instantaneamente. É uma das baladas mais pungentes do rock.

Hendrix decidiu cantar depois de ouvir Dylan. Assim como no Brasil João Gilberto com sua voz controlada inspirou gente como Chico Buarque a cantar, nos Estados Unidos Dylan foi um libertador para quem não tivesse aspirações a ser Sinatra.

Prestava atenção em tudo. Paul McCartney lembra que, poucos dias depois do lançamento de Sgt Pepper, Hendrix tocou a música de abertura do álbum num concerto em Londres. Era brincalhão. Pediu a Eric Clapton, que estava na platéia naquela noite, que afinasse sua guitarra.

Paul tem familiaridade com Hendrix. Linda, sua mulher, fotografou Hendrix nos melhores anos. Linda, morta, foi uma fotógrafa notável de gente do rock. Dizem que namorou com Hendrix. Naquele tempo, todo mundo namorava com todo mundo. Para mim, o maior tributo musical a Hendrix foi feito por David Bowie. Ziggy Stardust é Hendrix. But boy could he play guitar, canta Bowie. Mas cara, como ele tocava.

Hendrix inventou muita coisa em sua vida curta. Todo guitarrista de rock é, de alguma forma, filho dele.

É uma lástima que, entre suas tantas invenções, esteja a do roqueiro morto antes que chegasse à velhice — os 30.