João Doria é o Donald Trump peso pena dos paulistanos. Por Kiko Nogueira

O homem, o mito, o cashmere
O homem, o mito, o cashmere

 

João Dória Jr. finalmente formalizou a condição de pré-candidato a prefeito de São Paulo num evento no diretório municipal do PSDB.

Numa entrevista à BBC Brasil, comparou-se a Michael Bloomberg, que administrou Nova York por doze anos e que, segundo ele, “mostrou que eficiência de gestão no setor privado pode ser reaplicada no setor público”.

Não podiriam ser mais diferentes, na verdade. Bloomberg, frequentador da lista dos homens mais ricos do mundo da revista Forbes, recusou o salário na prefeitura. Tem um império de mídia especializada em finanças, que emprega cerca de 15 mil pessoas.

Doria é apresentador de um programa que dá traço de audiência e faz encontros de empresários com políticos. É dono do Lide — que se define como “uma organização de caráter privado, que reúne empresários em doze países e quatro continentes.”

Não abriu mão nem de seu holerite como chefe de delegação da CBF, cargo para o qual foi indicado por Aécio Neves. Sempre teve relações íntimas e profícuas com administrações tucanas.

É um clássico do liberal brasileiro mamãe eu quero mamar. O Cafezinho publicou cópia de um contrato de sua editora com o governo Alckmin. De março a setembro de 2014, foram quase 600 mil reais de publicidade para revistas que ninguém lê, distribuídas em seus eventos.

O inventor do Cansei, protocoxinha caçador de corruptos, organizou palestras com a presença de líderes de movimentos pró impeachment e um almoço com Eduardo Cunha. Na ocasião, elogiou as “transformações” que Cunha “tem procurado realizar” (Deus sabe quais são).

Muito mais do que Bloomberg, Doria lembra o milionário midiático Donald Trump, que quer concorrer pelo Partido Republicano à presidência dos EUA. E não só pelo ego inflado e pelo penteado inexpugnável de ambos.

JD apresentou a versão nacional do “Aprendiz”, o reality show que Trump comandava. Além de chamar os imigrantes mexicanos de estupradores e anunciar que vai construir um muro para contê-los, Trump também procura personalizar a competência do setor privado sobre o descalabro do público. “O que precisamos é de um governo bem administrado, eficiente. Eu sou sou um construtor”, afirma.

A expectativa criada por Trump é a de que, na presidência, ele será capaz de fazer coisas simplesmente afirmando que pode. Na vida real é mais complicado.

Doria é o Trump categoria peso pena dos paulistas. Nesta semana, depois que um jornalista foi expulso de um coletiva, analistas sugeriram que a cobertura de sua campanha se desse na editoria de celebridades, não na de política.

João Doria saiu da coluna social, mas a coluna social nunca saiu dele.

 

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