João Santana no Roda Viva: Bolsonaro não aguenta até 2022. Por Moisés Mendes

Originalmente publicado em BLOG DO MOISÉS MENDES

Por Moisés Mendes

O marqueteiro João Santana não acredita que Bolsonaro consiga se reeleger. Porque o sujeito, diz ele, é uma patologia da política que não aguentará até eleição. Será derrotado por falta de repertório e pelos próprios exageros.

Santana foi o entrevistado de ontem do Roda Viva. Foi sua primeira aparição pública (com tornozeleira) desde a condenação por lavagem de dinheiro de caixa 2, recebido por prestação de serviços em campanhas do PT. Está solto por ter cumprido parte da pena de sete anos e seis meses de cadeia.

Abaixo, um resumo do que ele disse sobre Bolsonaro e também sobre Lula, que deveria ser o vice de Ciro Gomes:

Erram na interpretação da vitória de Bolsonaro. Ele não contrariou a lógica de uma campanha. Havia desorganização dos partidos nos Estados. Alckmin era fraco (como candidato de centro). Ele tira proveito disso e se torna o primeiro candidato independente da história no Brasil. Não tinha partido e não tinha amarras internas. Bolsonaro entra no horário eleitoral com 20%. E tem o atentado. E a campanha do “Ele não” foi um erro tático.

É mais provável que Bolsonaro perca a eleição em 2022. Agora ele tem a bolha do coronavaucher (auxílio emergencial). Ele tenta fazer uma transição perigosíssima ao deixar de ser o herói moral para ser herói social.

Bolsonaro tem a vocação de tigre de papel eleitoral. O ser eleitoral que chega em 2022 é diferente do de 2018. A mensagem de futuro dele estará enfraquecida. Ninguém acredita que a economia estará bem. A entrada no Nordeste é de alto risco. Porque ele não terá recurso material e simbólico para conquistar o Nordeste.

O problema de Bolsonaro é que ele é um personagem que só vive do exagero, e o exagero se exaure. Ele não tem repertório para o grotesco e a benesse. Ele é um caso patológico de pão e circo. Ninguém consegue suportar isso por muito tempo.

Se as esquerdas se unirem em torno de Ciro Gomes, ele pode ser extremamente viável. Lula é um personagem único na história, Mas Lula está numa condição de candidato que não pode perder e não pode ganhar. Se perder, afunda a sua imagem. Se ganhar, vai estressar ainda mais o ambiente político. Vai ter um governo sangrando.

Lula seria o melhor vice. Ciro e Lula seria uma chapa imbatível. Foi a solução genial de Cristina Kirchner (eleita vice de Alberto Fernández) na Argentina. Se o PT tiver uma chapa pura, seria com Jacques Wagner (senador e ex-governador da Bahia) na cabeça e Lula de vice.

Sergio Moro não é do ramo. Parece ser melhor como pré-candidato do que como candidato. Ele levou muitos dribles de Bolsonaro. A eleição de 2022 não dará muitas chances a gente de fora do sistema.

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