Joias para Bolsonaro foram expostas de “forma ostensiva” em ministério, diz diplomata à PF

Atualizado em 3 de abril de 2023 às 14:01
Montagem de fotos de Jair Bolsonaro e conjunto de joias
Jair Bolsonaro e conjunto de joias sauditas
Foto: Agência Brasil

Em depoimento à Polícia Federal, o embaixador Christian Vargas disse que viu o estojo de joias dado pela Arábia Saudita exposto de “forma ostensiva” na sala da chefia de gabinete do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

Segundo o diplomata, a ação foi vista como “uma atitude de transparência”. Ele disse que foi informado de que o presente, composto por um relógio, caneta, abotoaduras, anel e um tipo de rosário da marca Chopard, seriam incorporados ao patrimônio público.

Diretor do Departamento de Integração Regional do Ministério das Relações Exteriores, Vargas integrou a delegação do Ministério de Minas e Energia, chefiada pelo então ministro Bento Albuquerque, que viajou para a Arábia Saudita em outubro de 2021. Também fazia parte da comitiva o ajudante de ordens do ministério, o tenente Marcos Soeiro, pego pela Receita Federal com outra caixa de joias avaliada em R$ 16,5 milhões no aeroporto de Guarulho (SP).

Vargas contou que ele, Albuquerque e Soeiro chegaram na Arábia Saudita no dia 22 de outubro de 2021 e participaram de diversas reuniões, além de um almoço. Ao final, de acordo com ele, houve a troca de presentes, “de forma protocolar e oficial” entre os ministros dos países.

O diplomata afirmou ainda que “esses presentes entre autoridades são simbólicos, bonitos, agradáveis e de pouco valor, pelo menos os entregues pelo Brasil”.

Joias avaliadas em R$ 16,5 milhões que o governo Bolsonaro tentou trazer ilegalmente ao Brasil
Foto: Reprodução

Ao retornarem ao Brasil, Vargas disse ter ficado com Albuquerque no setor de autoridades do aeroporto de Doha, enquanto Soeiro despachava as bagagens. Ao chegarem no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, e passarem pela Receita Federal, ele disse ter percebido que o ajudante de ordens precisou passar por uma “vistoria mais minuciosa” pela Alfândega.

No entanto, como os destinos eram diferentes e ele e o ministro iam para Brasília, o diplomata contou que se despediram sem “anormalidade”. Quando já estava próximo ao terminal de embarque com o ministro, Soeiro ligou relatando problemas com as bagagens. Albuquerque então voltou para a Alfândega e depois contou que fiscais da Receita haviam aberto um pacote de presentes com “joias de grande valor”.

Vargas negou ter presenciado qualquer “apreensão ou preocupação” por parte de Albuquerque ou de Soeiro durante a fiscalização. Segundo o diplomata, o ministro teria assinado documentos e dito que depois tomaria “as medidas necessárias para a liberação dos bens e incorporação disso ao patrimônio público”.

O embaixador afirmou ainda que, em algum momento, Albuquerque e Soeiro conversaram “algo sobre outro pacote que não tinha sido retido”.

Após três semanas, Vargas disse ter escrito uma “carta de praxe de agradecimento” à Arábia Saudita e foi orientado pelo ministro a colocar nela os presentes que seriam incorporados ao acervo público. O documento teria sido assinado por Albuquerque.

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