Jorge Seif escapou porque a extrema direita de SC continua forte. Por Moisés Mendes

Atualizado em 13 de fevereiro de 2026 às 13:52
Jorge Seif e Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução

As coisas estranhas que acontecem em todos os Estados são mais estranhas em Santa Catarina, desde a ascensão do bolsonarismo. Agora, por exemplo, absolveram um político de extrema direita que um juiz deu por condenado e depois se arrependeu.

Salvaram nessa quinta-feira no TSE o senador Jorge Seif, acusado de abuso de poder econômico porque teria usado aeronaves e recursos das lojas do véio da Havan nas eleições de 2022.

O relator do caso, ministro Floriano de Azevedo Marques, foi e voltou e decidiu que Seif e o véio não fizeram nada de errado, porque não há provas cabais contra eles.

Mas em abril de 2024 o mesmo ministro havia feito um relatório, ao analisar recurso contra o senador no TSE, condenando o bolsonarista e o famoso véio empresário. Os seus colegas ficaram sabendo do relatório.

Por maioria, Seif foi agora absolvido, a partir do voto do relator indeciso. No dia do começo do julgamento do caso, na terça-feira, a colunista Malu Gaspar informou em sua coluna no Globo, com suave candura: a cúpula do Congresso foi mobilizada para salvar Seif.

É assim que funciona. Davi Alcolumbre e outros foram alertar os ministros do TSE do seguinte: se Jorge Seif sair, vem um pior do que ele. Como se o TSE devesse fazer escolhas entre piores e menos piores.

No caso, uma pior, que seria a deputada bolsonarista Carol De Toni, que certamente venceria uma eleição fora do tempo para a vaga do senador, se ele fosse cassado. Sabem em Santa Catarina que a deputada seria invencível.

Carol foi alijada da disputa às duas vagas ao Senado esse ano, porque Carluxo é o ungido pelo pai. O outro candidato da extrema direita é Esperidião Amin, do PP, que ganhou a disputa com Carol por causa da composição da direita para o projeto de reeleição de Jorginho Mello ao governo do Estado.

TSE. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O que aconteceu no TSE pode acontecer em qualquer ambiente em que se tome alguma decisão envolvendo Santa Catarina. O caso de Seif é exemplar.

O senador foi absolvido no TRE catarinense, o caso foi para o TSE, por recurso da coligação “Bora Trabalhar” (PSD, União Brasil e Patriota), o relator avisou que iria condená-lo, voltou atrás, pediu novas diligências sobre o uso de aeronaves e recursos do véio da Havan e agora decidiu pela absolvição.

Entre o pedido de novas diligência, em abril de 2024, e a decisão de relatar pela absolvição, foram quase dois anos. O relator levou todo esse tempo para apreciar as apurações sobre os aviões e helicópteros.

Por que tanto tempo? Porque Santa Catarina exige muito cuidado. Durante dois anos, o ministro e seus colegas ficaram tateando para saber se o sujeito tinha ou não perdido força política e se a extrema direita estava fragilizada em Santa Catarina.

Não está. Tanto que, depois avisar que condenaria, o relator recuou. Todos os sete ministros concordaram com o recuo, e a democracia, segundo Seif, foi salva.

Votaram os ministros Floriano de Azevedo Marques (relator), André Mendonça, Kassio Nunes Marques, Isabel Gallotti, Raul Araújo, Vera Lúcia Santana Araújo e Cármen Lúcia (presidente do TSE).

Tudo ficou resolvido. Os poderosos da extrema direita de Santa Catarina continuam poderosos, incluindo sempre o intocável, o fantástico, o invencível, o maravilhoso véio da Havan.

E as altas Cortes não querem briga nesse momento difícil com o Congresso, muito menos com gente do Estado mais bolsonarista do país.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/