Jornalismo Mister M: a mídia esconde a notícia da ONU na esperança de que Lula desapareça. Por Kiko Nogueira

 

A mídia brasileira, definitivamente, não sabe o que fazer com Lula.

Há muito tempo que o jornalismo ali já se transformou em torcida e wishful thinking, mas a coisa tem adquirido ares de surrealismo vagabundo.

A notícia de que o Comitê de Direitos Humanos da ONU acolheu um pedido liminar para que Lula possa concorrer às eleições de 2018 foi escondida em tempo recorde.

A entidade recomenda “todas as medidas necessárias para permitir que o autor [Lula] desfrute e exercite seus direitos políticos da prisão como candidato nas eleições presidenciais de 2018, incluindo acesso apropriado à imprensa e a membros de seu partido politico”.

Foi notícia, obviamente, nos grandes jornais do mundo todo, do New York Times (reproduzindo a Reuters) ao Guardian.

A imprensa nacional acha que, sonegando a realidade, ela desaparecerá.

ESTADÃO
G1

Ao mesmo tempo, Lula não sai dos olhos, narizes, bocas e cérebros de colunistas paus mandados — desde que de maneira negativa.

O resultado é uma esquizofrenia inevitável com toques de pornochanchada. No mesmo dia do caso ONU, o inefável Merval Pereira anuncia “as derrotas sucessivas de Lula”.

No Estadão, dá para visualizar os umpa-lumpas que escrevem aqueles editoriais dando pulinhos de raiva no andar 7 e meio: “tigrada, tigrada, tigradaaaaa….”

Chegamos a uma versão pervertida da máxima de Einstein: “se os fatos não se encaixam na teoria, modifique os fatos”.

Por aqui, a solução tem sido ignorá-los. Duro é que eles não vão embora. 

O GLOBO
FOLHA

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