Jornalista do Estadão que deu assessoria informal a procurador da Lava Jato comemorou condenação de Lula no TRF 4

Moro, Dallagnol e Santos Lima

O Intercept revelou novos trechos de conversas entre Sergio Moro e a força tarefa da Lava Jato.

Desta vez, os diálogos se referem ao depoimento de Lula no processo relativo ao triplex do Guarujá em 10 de maio de 2017.

Após a audiência, Moro sugeriu ao então procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima — parceiro de Dallagnol em videozinhos constrangedores — que emitisse uma nota oficial para rebater o “showzinho” da defesa.

Moro quis saber o que o integrante do Ministério Público tinha achado daquilo que a mídia tradicional qualificava como um embate entre o magistrado e o ex-presidente.

Há um trecho emblemático do conluio com a imprensa.

No grupo “Filhos do Januário”, Santos Lima reproduz mensagem de um certo Ricardo Brandt.

“Dr. qual sua avaliação geral do depoimento? Se enrolou? Algo te surpreendeu? pode ser off. sem problemas”, diz ele.

“Estamos decidindo se falamos…RS”, responde Lima.

Ricardo Brandt: “haha. ok. fale conosco se falar ele atacou vcs demais ele é circular. não sai do roteiro. repete frases exatas em varios momentos distintos. achei na minha opinião vcs têm que falar. se hj ou amanhã não sei. mas não falar é pior”.

Brandt, que presta esse serviço de assessoria de imprensa, é repórter do Estadão especializado na Lava Jato juntamente com Fausto Macedo, que assinou diversos vazamentos da turma nos últimos anos.

Em janeiro de 2018, ele e mais quatro colegas comemoraram a condenação de Lula pelo TRF-4 numa selfie no próprio tribunal.

Germano Oliveira, da Istoé, fez a seguinte legenda:

Os cinco jornalistas que fizeram a diferença na cobertura da Lava Jato, que acabará levando Lula para trás das grades. Da esquerda para a direita: Vladimir Neto, da TV Globo; Ricardo Brandt, do Estsdao; André Guilherme, do Valor; este que vos fala Germano Oliveira, da ISTOE; e Flávio Ferreira, da Folha de S.Paulo. Faltaram outros grandes repórteres como Fausto Macedo, do Estadao, Cleide Carvalho, do Globo. Essa turma eh da pesada e se reuniu hoje na sede do TRF4, em Porto Alegre, quando os desembargadores condenaram Lula por 3 a 0 a 12 anos e 1 mês de cadeia. Ainda da psra confiar na Justiça.

Brandt também é um dos autores da longa entrevista de Moro publicada no jornal na noite de quinta, dia 13, quando o maringaense teve todo o tempo e espaço para atacar Glenn Greenwald e tentar se explicar. 

“O ministro não reconhece a autenticidade das mensagens e, na primeira entrevista após ter virado alvo dos hackers, desafiou a divulgação completa do material”, escreve a dupla.

Jornalismo entre amigos é assim: sem qualquer contestação, ficamos combinados que Moro foi vítima de hacking porque ele diz que foi.

Brandt foi diretor de comunicação de Demétrio Vilagra, ex-prefeito de Campinas pelo PT.

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