Jornalista dos EUA que concordou com Eduardo Bolsonaro sobre “socialismo” no Brasil difundiu fake news sobre Obama

Lou Dobbs, que entrevistou Eduardo Bolsonaro, e Trump

Em sua turnê nos Estados Unidos a serviço de seu pai, Eduardo Bolsonaro garantiu que o Brasil não mais viverá sob o tacão do socialismo. 

A declaração foi dada na noite de sexta em entrevista a Lou Dobbs, âncora da Fox News, e foi repercutida por Jair Bolsonaro em suas redes.

“O que eu vim fazer aqui nos Estados Unidos é dar os primeiros passos para o resgate da nossa credibilidade e mandar uma mensagem clara de que nunca mais seremos um país socialista”, papagueou, num inglês moroniano.

Um jornalista medianamente informado que ouvisse uma imbecilidade desse gênero responderia com uma obviedade: “quando o seu país foi socialista?”

Ao invés disso, o ancião comentou qualquer coisa do tipo “nenhum país socialista deu certo” e bola pra frente.

Dobbs é o sujeito que foi para a Fox após sair da CNN na esteira de uma campanha de fake news contra Barack Obama.

Em 2009, promoveu a teoria da conspiração de que Obama não nasceu nos Estados Unidos, chamada “birtherism”.

Os “birthers”, malucos de extrema direita (qualquer coincidência é mera semelhança), espalharam que Obama não veio ao mundo no Havaí, o 50º Estado americano, mas no Quênia, onde nasceu seu pai.

A Constituição americana determina que um presidente deve ter nascido no país.

No bojo da palhaçada embutiam que o nome do meio de Obama era “Muhammad”. A implicação óbvia era de que ele era muçulmano.

Assessores colocaram uma imagem digitalizada do seu certificado de nascimento na internet para dissipar os rumores.

De nada adiantou.

As declarações de Dobbs em apoio a essa fraude causaram enorme embaraço a seu empregador. O comediante Jon Stewart fez uma série sobre o caso em seu Daily Show.

O New York Times apontou que Dobbs havia “se tornado um pesadelo para a CNN e envergonhado seu chefe”.

Lou Dobbs apoia Donald Trump abertamente. Sua entrevista com Trump ficou famosa como um dos maiores exemplos de puxasaquismo na TV mundial.

Ele abriu o papo com “você conquistou tantas coisas” e a alturas tantas dirigiu-se a Trump como “um dos mais amados e respeitados presidentes da história”.

Quando você achar que colunistas chapa branca de direita são exclusividade nacional, lembre-se de Lou Dobbs.

Eduardo Bolsonaro fez propaganda de seu pai com um pau mandado da Casa Branca.

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