
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, aponta indícios de um plano para intimidar o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Segundo o despacho, a estratégia discutida envolvia simular um assalto para “prejudicar violentamente” o jornalista e, assim, “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”.
Essa, no entanto, não foi a primeira vez que o jornalista foi alvo de ameaças.
Segundo Gustavo Bebianno, então secretário-geral da Presidência da República no início do governo Jair Bolsonaro, uma pessoa próxima ao presidente tentou sequestrar Lauro Jardim na saída de um restaurante em São Paulo.
Advogado e dirigente do PSL na campanha de 2018, Bebianno morreu em 14 de março de 2020, aos 56 anos, após sofrer um infarto em sua casa em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro.
“O presidente parece que escolhe a dedo pessoas muito perigosas”, contou Bebianno em entrevista à rádio Jovem Pan em 2019. “Inclusive, há uma pessoa muito próxima a ele que recentemente tentou sequestrar um jornalista do sistema Globo. Pegou o jornalista Lauro Jardim na saída de um restaurante em São Paulo e tentou enfiar o Lauro Jardim dentro de um automóvel, uma coisa meio forçada. O Lauro ficou muito nervoso, muito preocupado”.
Na mesma entrevista, Bebianno afirmou que o caso chegou à direção do Grupo Globo e que o suspeito foi notificado para não se aproximar mais do colunista. Ele também declarou que a mesma pessoa teria ameaçado outras profissionais da imprensa: “Essa mesma pessoa já ameaçou uma jornalista da revista Época e já fez ameaças veladas a outra jornalista do jornal O Globo”.
Não seria o primeiro atentado sofrido pelo @laurojardim.
Em 2019, Gustavo Bebianno, ex advogado do Bolsonaro, ex-Ministro do Bolsonaro e hoje falecido, acusara o próprio Jair Bolsonaro de escolher “pessoas perigosas”. Eis a íntegra:
“O presidente (Bolsonaro) parece que escolhe…
— Lucas Mourão (@lucasmourao_) March 4, 2026
As mensagens reveladas pela Polícia Federal mostram que Vorcaro participava de um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”. Nesse espaço, segundo a investigação, foram discutidas ações de monitoramento e intimidação contra pessoas consideradas incômodas ao empresário.
Nos diálogos citados na decisão judicial, Vorcaro é identificado pelas iniciais DV e conversa com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário”. Em um dos trechos, os dois discutem a rotina do jornalista e a possibilidade de acompanhá-lo: “Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele”.
“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, diz outro trecho da troca de mensagens. Segundo a investigação, Mourão seria responsável pela coordenação de atividades de vigilância, coleta de dados e acompanhamento de pessoas ligadas a investigações ou críticas ao Banco Master.
De acordo com a Polícia Federal, Mourão também teria realizado consultas em sistemas restritos de órgãos públicos usando credenciais de terceiros. Os investigadores apontam acessos indevidos a bases de dados da própria PF, do Ministério Público Federal e até de sistemas internacionais.