Jornalista que denuncia crimes sexuais do Opus Dei se reúne com o Papa e pede ação

Atualizado em 22 de março de 2026 às 14:59
Gareth Gore, autor de livro com denúncias sobre a Opus Dei, posa com o papa Leão XIV no Vaticano em 16 de março

O jornalista e escritor inglês Gareth Gore foi recebido por cerca de 40 minutos pelo papa Leão XIV em um encontro solicitado pelo próprio pontífice, no qual foram discutidas denúncias e investigações relacionadas ao Opus Dei. Segundo o jornal espanhol El Diario, durante a reunião, o papa teria elogiado o livro de Gore sobre a prelazia, classificando a obra como um “trabalho rigoroso”.

Segundo o jornalista, o encontro serviu para apresentar ao pontífice informações sobre diferentes escândalos atribuídos ao Opus Dei, incluindo acusações de tráfico de mulheres na Argentina e em outros países, além de denúncias de abusos psicológicos, espirituais e financeiros dentro da organização.

Gore afirmou que pediu ao papa que autorizasse uma investigação aprofundada e independente sobre a prelazia, e que considerasse inclusive medidas mais radicais, como o fechamento da instituição, caso as acusações sejam comprovadas.

O escritor também solicitou que a Igreja reavaliasse o processo de canonização do fundador do Opus Dei, Josemaría Escrivá de Balaguer.

Segundo Gore, novas informações surgidas após a canonização poderiam justificar a reabertura do caso e até a revisão do reconhecimento oficial concedido ao sacerdote espanhol. Ele afirmou que a decisão do Vaticano sobre o tema será determinante para o rumo do pontificado de Leão XIV.

A Santa Sé confirmou apenas que a reunião ocorreu, registrando o encontro no boletim oficial, mas não divulgou detalhes sobre o conteúdo da conversa, classificando-a como audiência privada. De acordo com Gore, o encontro teria sido articulado com a ajuda do jornalista peruano Pedro Salinas, um dos investigadores que revelaram denúncias envolvendo o grupo religioso Sodalitium.

Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei

Durante a conversa no Palácio Apostólico, Gore apresentou documentos, testemunhos e relatos de vítimas que, segundo ele, demonstram que o Opus Dei teria utilizado a legitimidade concedida pela Igreja para atrair jovens e menores de idade, explorando a fé dos membros para obter obediência, dinheiro e favores. O jornalista afirmou ter oferecido ao Vaticano contato direto com pessoas dispostas a depor sobre os abusos.

Entre os casos citados, Gore destacou investigações em andamento na Argentina envolvendo suspeitas de tráfico de mulheres, além de denúncias semelhantes em países como Irlanda, França, México e Espanha. Ele também relatou ao papa que teria sofrido tentativas de intimidação e campanhas de desinformação após anunciar a publicação do livro, afirmando que o grupo teria recorrido a ações judiciais e pressões para impedir a divulgação das denúncias.

Ao final do encontro, o jornalista disse ter pedido ao pontífice que autorize uma investigação independente conduzida por especialistas leigos e membros do clero, abrangendo acusações de abuso espiritual, psicológico, emocional, físico e financeiro.

Segundo Gore, o papa foi instado a considerar todas as medidas possíveis, incluindo a revisão da canonização de Escrivá e até o encerramento da prelazia, caso as provas confirmem as irregularidades apontadas.

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