
O jornalista Marcelo Rocha, do coletivo Mídia Ninja, relatou ter sofrido agressão física e ofensas racistas durante a cobertura do Festival de Parintins, no Amazonas, na madrugada de segunda-feira (29). Ele afirma que seguranças do evento o arrastaram para fora da arena do Bumbódromo quando pediu apoio após o episódio.
Vídeos registrados por Rocha e por outras pessoas mostram parte do conflito e o momento em que ele deixa o local carregado pelos braços e pelas pernas. O jornalista disse que a agressão ocorreu quando tentava filmar a entrada da cunhã-poranga do boi Garantido, a ex-BBB Isabelle Nogueira.
Segundo Rocha, a mulher pediu que ele saísse da frente da apresentação e, em seguida, o atingiu no rosto. “Tomei um tapa gratuitamente. Nisso eu me viro para pegar o celular para registrar essa pessoa e novamente ela vem tentar me agredir, e começa a me chamar de ‘neguinho vagabundo’. Eu automaticamente começo a gritar: ‘Alguém pode chamar a polícia?’”, relatou.
O caso teria ocorrido entre o fosso de imprensa e a área destinada a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. A mulher foi identificada como Maria Rita de Souza; a Folha informou que o nome dela não constava na lista da área PCD à qual teve acesso.
Eu to chocado com esse video que o Jornalista Marcelo Rocha, publicou em seu Instagram. Em outro video, ele afirma te sido agredido e sofrimento injúria racial, no festival Folclórico de Parintins. pic.twitter.com/QKaOU41Hjt
— Eita, Ravel 💙 (@Raveloliveirah) June 30, 2026
Mulher nega racismo, e segurança diz que levou os dois à delegacia
Rocha afirma que o chefe da segurança tratou o jornalista como responsável pela confusão e retirou a mulher do local antes de descer ao fosso. “Ele começa a apertar meu braço esquerdo, me segura e chama mais seguranças para me segurar pelas pernas e me arrastam pelo Bumbódromo de Parintins”, disse.
Maria Rita negou ter cometido agressão ou racismo e afirmou que é vítima no caso. “Não houve fala racista em nenhum momento”, disse. Ela declarou que tentou tirar o celular da mão do jornalista ao perceber que estava sendo filmada e afirmou: “Eu pedi para ele abaixar o celular educadamente, ele começou a me xingar e me filmar”.
O chefe da segurança do festival, Hélio Aguiar, afirmou que não sabia que Rocha era jornalista, embora ele usasse credencial, e disse que o comunicador relatou apenas ter levado um tapa, sem mencionar racismo naquele momento. Aguiar, dono da empresa contratada pelo governo do Amazonas para atuar na segurança do evento e segurança particular de Isabelle Nogueira, disse que encaminhou os dois à delegacia itinerante, a cerca de 30 metros da ocorrência, e afirmou que ele e a filha de 14 anos passaram a receber ameaças nas redes sociais.
O governo do Amazonas declarou que as polícias Civil e Militar prestaram apoio e que Rocha recebeu auxílio na busca por advogados junto à Defensoria Pública de plantão no evento. O Ministério Público do Amazonas pediu à Justiça a relação de profissionais de imprensa e de pessoas credenciadas para a área PCD para reunir depoimentos sobre a suposta agressão e a conduta da segurança; os bois Garantido e Caprichoso publicaram notas de solidariedade ao jornalista nesta quarta-feira (01) e repudiaram o racismo.
🚨PRONUNCIAMENTO: Com ajuda do Chat GPT, segurança que aparece agindo de forma violenta com jornalista em Parintins, se pronúncia. Mas comentários não são favoráveis a sua versão. pic.twitter.com/dexYbXmWeu
— Manaus me Conta (@manausmeconta) July 1, 2026