“Jornalistas abutres”: em diálogo, procurador diz como a Lava Jato encarava a imprensa amiga

Gabeira e Dallagnol com a fundadora do Vem Pra Rua do RJ no lançamento de livro do procurador

O conluio com a Lava Jato é o capítulo mais baixo da imprensa brasileira desde o apoio ao golpe de 64.

É ingenuidade esperar autocrítica porque não virá e porque não faz diferença — a mídia tem agenda e é, inescapavelmente, canalha.

O que se passou por jornalismo investigativo era um esquema de vazamentos que eram publicados em qualquer critério ou apuração.

O fato de os documentos virem das “autoridades” os chancelava.

Na Globo, ficou famosa a história de que o diretor Ali Kamel montou uma “sala de guerra” em 2017 para destrinchar as delações dos executivos da Odebrecht.

Vladimir Neto, filho de Míriam Leitão, escalado para porta-voz da Lava Jato no Jornal Nacional, virou autor best seller com uma hagiografia do ex-juiz que inspiraria, mais tarde, a série “O Mecanismo”, empulhação de José Padilha.

Dallagnol já apareceu em conversas vazadas se jactando de ter almoçado com João Roberto Marinho.

“É ele quem, segundo muitos, manda de fato na Globo. Responsável pela área editorial do grupo. A pessoa que mais manda na área de comunicação no país”, disse no Telegram.

Jornalistas comemoram condenação de Lula no TRF-4

Segundo DD, João Roberto prometeu “abrir espaço de publicidade gratuitamente” para suas 10 medidas contra a corrupção. Vladimir prestou consultoria numa resposta sobre a condução coercitiva de Lula.

Fernando Gabeira, o boca mole, fez turnê literária com Deltan.

Nos novos trechos liberados pelo STF à defesa do ex-presidente, cujo sigilo foi levantado por Lewandoswki, fica claro como os procuradores encaravam esses “parceiros” nas redações.

“Pessoal, a questão da empresa de Roberto Teixeira, acho que não dá para investigar, pois resta claro que quem está por trás é Lula”, afirma Orlando Martello Júnior (que aparece como “Orlando SP).

“Logo, temos que pensar se não é bom jogar esta informação para os jornalistas abutres para fazer o papel deles”.

Jornalistas abutres. Nada mais, nada menos.

Parte do serviço sujo era feito por eles. Porretes da Justiça. Capangas. Jagunços dos coronéis de Curitiba. Pistoleiros de aluguel. 

Vai levar muito tempo para limpar a reputação de quem se sujou com a turma de Moro & cia em nome de seja lá o que for, mas nunca foi jornalismo.

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