José Loreto, Marina Ruy Barbosa e a culpa que não atribuímos aos homens. Por Nathalí Macedo

José Loreto e Marina Ruy Barbosa

Uma fofoca de comadres nos bastidores da Globo rendeu esta semana uma discussão no mínimo interessante sobre traição masculina e culpabilização das mulheres.

O ator global José Loreto foi expulso de casa pela agora ex-esposa e também atriz Débora Nascimento e todos os jornais, sites e revistas de fofoca noticiaram que a separação teria se dado por uma traição de Loreto com uma colega de elenco.

Rapidamente, especulou-se quem seria o tal “pivô” da separação. Marina Ruy Barbosa foi eleita como a mulher que tentou o pobre homem casado – você sabe, a carne é fraca.

Quando um homem descumpre o acordo monogâmico que firmou com sua esposa, as pessoas sempre procuram mil motivos para justificá-lo: “homem só procura na rua o que não tem em casa”, ou “foi a amante que destruiu o casamento dele”.

Parece que é difícil admitir que, simplesmente, mais um homem descumpriu com sua palavra e faltou com lealdade.

A sororidade, entretanto, não me obriga a tolerar talaricagem: mulher que se envolve com homem casado está errada também, quem quer que seja essa mulher – aliás, amiga, você já ouviu falar em karma?

Apesar disso, a culpa da traição é sempre de quem traiu. O motivo do divórcio não foi a amante: foi a falta de caráter do marido. Logo, não existe um terceiro como “pivô” da separação. O pivô da separação é quem trai, sempre.

Mesmo assim, a ideia de que a mulher é sempre culpada pela separação persiste de ambos os lados: ou é culpa da amante, capaz de tirar um homem do prumo da razão, ou a culpa é da esposa, que não deu conta do recado e abriu para a concorrência.

Qualquer argumento é válido para que o culpado não seja o homem.

Não demorou muito para que Loreto, o bom samaritano, postasse um textão de desculpas a Débora nas redes.  “Errei sim, manchei o teu nome. Débora, você tem todas as razões para estar magoada comigo. Te dei motivos, indícios, diria que até provas, que eu mesmo, se estivesse no seu lugar, diria que são inquestionáveis. Mas a vida real às vezes surpreende até as ‘vidas de novela’.” zZzZzZzZzZ

Homens infiéis arrependidos: nada novo sob o sol. Loreto só esqueceu de se desculpar com a outra mulher prejudicada na situação – Marina, apontada como o tal pivô – que também é casada e foi exposta a um constrangimento que deveria ser exclusivamente dele, o homem que traiu.

A também atriz Luma Costa comentou no post de desculpas em defesa à amiga:

“Que você errou isso já estava bem claro José Loreto. Que a Débora merece todo seu arrependimento e pedido de desculpas também. Mas o que não ficou bem claro nesse texto foi um outro esclarecimento que eu sinceramente acredito que deveria ter sido feito diante das proporções tomadas. Uma negativa e pedido de desculpas também por aqui e público para outra pessoa e família envolvida, que também merecia seu pesar”.

A ideia do pedido de desculpas de Loreto parece ser unicamente recuperar a família perdida, e não necessariamente remediar o climão que causou. Enquanto Marina é apontada e especulada nos sites de fofoca, ele posa de bom samaritano e tenta não sofrer as consequências por não conseguir manter o zíper fechado – sorry not sorry. A conta é sempre mais alta para a mulher.

“Que o universo me ajude a te reconquistar, meu amor”, ele arremata no textão de desculpas.

Espero que o Universo esteja agora mesmo ocupado com coisas mais importantes, como supernovas e assuntos estelares.

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