Jovem Pan leva golpe e perde R$ 175 mil

Atualizado em 5 de maio de 2026 às 12:43
Estúdio da Jovem Pan. Foto: Reprodução

A Jovem Pan foi vítima de um golpe telefônico e perdeu cerca de R$ 175 mil em transferências realizadas em poucos minutos. O caso ocorreu em 29 de setembro do ano passado e envolveu acesso indevido à conta bancária da emissora, segundo a coluna de Rogério Gentile no UOL.

De acordo com o processo, um golpista se passou por gerente do Bradesco e entrou em contato com um funcionário da empresa. Ele afirmou que seria necessário habilitar um suposto “chat empresarial” para facilitar a comunicação com o banco.

Durante a ligação, o criminoso enviou um link com aparência institucional e orientou a instalação de um sistema falso. Na sequência, solicitou dados de acesso da conta, como usuário, senha e tokens, que foram fornecidos.

Com as credenciais, o golpista realizou 18 transferências via Pix em cerca de 40 minutos, desviando R$ 175,3 mil antes que a fraude fosse identificada. As movimentações ocorreram em sequência e com valores semelhantes.

A emissora acionou a Justiça e responsabilizou o banco, alegando falha no sistema de segurança por não bloquear operações fora do padrão. No processo, afirmou: “Não se está diante de operação isolada ou pontual, mas de uma sucessão concentrada de movimentações que, por si só, já impunha resposta preventiva imediata por parte da instituição financeira”.

Fachada de agência do Bradesco. Foto: Divulgação

A ação também apontou que houve repetição de transferências para contas semelhantes: “Ainda assim, não houve bloqueio cautelar, validação reforçada, alerta efetivo ou qualquer mecanismo de contenção proporcional ao risco que se apresentava de forma ostensiva”.

A Justiça negou o pedido de devolução dos valores e afastou a responsabilidade do banco. Na decisão, a juíza Rossana Luiza de Faria disse que “a fraude teve origem integralmente fora do ambiente digital e físico controlado pelo banco”.

Ela acrescentou que os próprios representantes da emissora forneceram os dados ao criminoso: “Foram os representantes da autora do processo que, voluntariamente, clicaram em link encaminhado por terceiro desconhecido, seguiram as instruções do estelionatário e forneceram, de forma sequenciada, a integralidade das credenciais de acesso à plataforma bancária empresarial”.

Na sentença, também foi mencionado que o sistema de segurança chegou a questionar as transações, que foram confirmadas pelos responsáveis. “Diante desse quadro, é inviável imputar ao banco defeito na prestação do serviço”. A emissora ainda pode recorrer da decisão.

Na defesa, o Bradesco afirmou que não houve falha no sistema e atribuiu o caso à ação dos criminosos e ao fornecimento de dados. “Apesar dos constantes esforços do Bradesco para divulgar alertas contra fraudes/golpes e aumentar a segurança de seus clientes, estelionatários recorrem a sofisticadas estratégias e aproveitam-se de instantes de desatenção das vítimas para aplicar diversos golpes financeiros”.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.