Jovens direitistas: não ouçam as dicas do Pondé para “pegar mulher”

Bem mais que um rostinho bonito
Bem mais que um rostinho bonito

 

Em sua última coluna na Folha, o “filósofo” Luiz Felipe Pondé escreveu um manual com dicas para o jovem liberal se dar bem com a mulherada. Com um título que parece um manifesto, “Por uma direita festiva” parte do pressuposto de que os estudantes esquerdistas são sempre bem sucedidos quando se metem em dialéticas com o sexo oposto.

Diz ele, meio irônico, meio fanfarrão, confessando sua vida dura:

Vou repetir, porque eu sei que questões altamente filosóficas são difíceis de se entender: o maior desafio para um jovem estudante liberal no Brasil é pegar mulher (no meio universitário e afins), sendo liberal. Claro, charme pessoal, simpatia, inteligência, grana, repertório cultural, sempre são fatores importantes, mas a esquerda tem um ponto a favor dela que é indiscutível: se você é de esquerda, pegar mulher é a coisa mais fácil do mundo. Qual o segredo da esquerda? É ser festiva.

(…)

A esquerda festiva (que é quase toda ela) reproduziu porque teve muitas mulheres à mão. Imagine papos como: “Meu amor, se liberte da opressão sobre o corpo da mulher!”. Agora, imagine que você esteja num diretório de ciências sociais no final da noite ou num apê sem pai nem mãe (dela) por perto. Um pouco de vinho barato, quem sabe, um baseado? Um som legal, uma foto grande do Che (aquele assassino chique) na parede.

Não sei de onde ele tirou essa história. Durante a faculdade, na Federal do Espírito Santo, frequentei reuniões do diretório acadêmico, simpatizava com as Farc, com o Subcomandante Marcos, participava de grupo de estudo sobre o Manifesto Comunista e era goleiro de um time de futsal chamado Pravda.

Mesmo com um currículo desses, não era nenhum Don Juan.

E, até onde sei, a situação não era diferente da de outros garotos do movimento estudantil. Aliás, ninguém ali era de esquerda para se dar bem com as meninas. Nem alguém que acreditasse que a Albânia era o melhor lugar do mundo teria uma ilusão dessas.

Mas, apesar das conquistas modestas, posso elencar umas dicas bem mais úteis para os jovens de direita do que as sugeridas pelo Pondé.

Antes de tudo, relaxem. Deixem de lado essa paranoia de que o Brasil está sob a ameaça de uma ditadura comunista. É um pensamento antigo, que cheira a mofo. Pense bem, que mulher vai querer beijar um sujeito que curte um macartismo no escuro?

Acordar e dormir pensando na “ameaça bolivariana” produz cortisol, o hormônio do stress. Além de detonar sua saúde, deixa você com o cenho franzido. Isso não é nem um pouco sexy.

Uma boa dica é deixar de lado essa mania de dividir o mundo entre dois pólos opostos. Você repele as moças, que são seres complexos demais para quem tem uma visão maniqueísta das coisas. Sei, é pedir demais de vocês.

Não gastem tanto tempo diante do computador destilando bílis nas seções de comentários dos sites de notícia.

Parem de ler o Pondé.

Repito: não sei de onde o colunista tirou essa ideia de que os jovens esquerdistas são grandes conquistadores. Mas, se eu tinha alguma dúvida de que as coisas seriam bem mais difíceis para mim se eu fosse um direitista esquisitão nos tempos da faculdade, agora não tenho mais.

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