
Representantes da comunidade judaica pediram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) medidas para garantir o direito ao voto de judeus ortodoxos no primeiro turno das eleições. A votação está marcada para 4 de outubro, mesma data da celebração de Simchat Torá, um dos feriados mais importantes do calendário religioso judaico.
A observância estrita do feriado impõe restrições a deslocamentos e ao uso de equipamentos eletrônicos, o que pode impedir parte dos fiéis de comparecer às urnas. Em 2026, Simchat Torá termina às 18h40 do dia 4 de outubro, depois do fechamento da votação, previsto para 17h.
O feriado, cujo significado literal é “Alegria da Torá”, celebra a conclusão do ciclo anual de leitura pública da Torá, composta pelos cinco livros de Moisés, e o início imediato de um novo ciclo.
Em petição enviada ao TSE, os advogados Mônica Rosenberg, Evane Beiguelman Kramer e Daniel Rosenhek Schor pedem que algumas seções eleitorais sejam reservadas para receber, após o fim do feriado, eleitores judeus previamente cadastrados. A proposta não pede mudança geral no calendário eleitoral.
“A presente petição não pretende questionar o calendário eleitoral aprovado por esta corte, tampouco pleitear a alteração geral da data das eleições. O que se requer é a adoção de providências administrativas proporcionais, tecnicamente delimitadas e previamente organizadas, de modo a evitar que um grupo específico de cidadãos brasileiros sejam colocados diante da escolha inconstitucional entre o exercício do voto e a observância de sua fé”, afirma a petição.
Também será lançado um abaixo-assinado online sobre o tema. Segundo Mônica Rosenberg, a solicitação busca assegurar igualdade de acesso ao voto, e não criar um benefício exclusivo, de acordo com informações da Folha.

“Esse não é um pedido de privilégio: é uma solicitação de um direito que deveria se estender a todas as religiões e suas datas sagradas. Democracia de verdade é quando ninguém fica de fora”, diz Rosenberg.
A mobilização também envolve Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do governo Jair Bolsonaro, além de outros integrantes da comunidade judaica. Estima-se que cerca de 120 mil judeus vivam no Brasil, embora nem todos sigam a religião de forma ortodoxa.
O advogado Marcelo Knopfelmacher, que também participa das articulações, afirmou que a preocupação é compartilhada por lideranças religiosas. “Essa é uma preocupação de importantes lideranças religiosas. Se estenderem o horário, os judeus poderão votar”, diz.
O pedido agora depende de análise do TSE, que terá de avaliar se há viabilidade administrativa e jurídica para organizar seções específicas com horário estendido sem alterar a data geral da eleição.