Juiz Bretas prometeu ficar meses longe do Twitter, mas não resistiu… seria doença? Por Joaquim de Carvalho

Bretas e a mulher Simone procuram um sinal dos céus

No dia 30 de janeiro, depois que foi muito criticado por causa do duplo auxílio-moradia, o juiz Marcelo Bretas se despediu de seus seguidores no Twitter:

“Agradeço aos mais de 30 mil seguidores.

Findo este período de férias, informo que não usarei esta conta de Twitter pelos próximos meses.

Teremos um ano de muito trabalho.”

Ou está faltando trabalho para ele, ou a vontade de usar a rede social é mais forte do que o compromisso com sua atividade profissional.

O fato é que Bretas voltou ao Twitter, dez dias depois, com a postagem de uma reportagem da BBC sobre a dificuldade de se investigar corrupção, e outra, com um artigo que defende a ele, Moro e Dallagnol no caso dos auxílios-moradias.

Foi devidamente enquadrado por seus seguidores:

“Que lamentável, doutor. Recorrendo ao expediente dos seus críticos de atacar a imprensa. Mídia essa que, como a população, celebra o papel da Lava Jato. Cai na real, doutor. Imprensa está ecoando a sociedade que quer corruptos presos, mas também o fim de privilégios de servidores.”

Outro disse:

“Tem categorias de pessoas q se julgam acima de todos. Ao primeiro sinal de crítica saem esperneando.”

Teve um que lembrou:

“Você pode estar iniciando uma guerra que não tem a menor chance de ganhar. Deixa de pompa e baixa essa crista pq no final quem manda nesse país é o povo.”

Bretas, assim como Rosângela Moro, a voz do juiz Moro nas redes sociais, e uma penca de procuradores, não sabe sair de cena.

É a escola de Sergio Moro. Para o bem da democracia, juízes devem falar apenas nos autos e isso não significa que sejam menos cidadãos do que outros.

Pelo contrário.

Evitando manifestações públicas, preservam a imagem da Justiça imparcial e impessoal, aquela que busca nas virtudes o caminho para decisões.

Daí porque a deusa Têmis, símbolo da Justiça, é representada por uma mulher de venda nos olhos.

O mundo exterior não tem a menor importância para ela.

É preciso buscar a luz interior.

Bretas já recebeu homenagem de um pastor-vereador no Rio de Janeiro e disse que se considera em uma cruzada — que expressão infeliz…

Reagiu com ímpeto de vingador quando decidiu transferir Sergio Cabral só porque ele ecoou informação divulgada pela imprensa — a de que sua família atua no ramo das bijuterias finas.

O ministro Gilmar Mendes, do STF, vetou a transferência, por considerá-la descabida.

Mas, ao final, prevaleceu a vontade dele, Bretas.

Sergio Cabral acabaria transferido, com requintes de crueldade, ao ter a imagem exposta com pés e mãos acorrentados.

Culpa do Moro, o chefe da Lava Jato em Curitiba, para onde Cabral foi levado? Da PF? Foi uma obra conjunta? Ninguém sabe.

Os juízes federais costumam se comunicar em rede fechada, pedindo ajuda um do outro, como mostrou o DCM, num artigo que revelou a solicitação de Moro:

No fundo, fico orgulhoso de pertencer a essa categoria dos juizes federais e, se não tiver o apoio de todos ou da quase absoluta maioria, fica difícil.

Sobre o evidente abuso na transferência de Cabral, não houve investigação e, se houve, o resultado não foi divulgado.

Bretas se apresenta como homem temente a Deus, evangélico praticante, mas se comporta como os fariseus do tempo da Bíblia.

Poderia agir com mais discrição. Mas parece não conseguir viver sem o toque das trombetas, a cada ação que faz.

Isso explicaria seu apego ao Twitter. Seria um vício?

Cansou, doutor. Cumpra lei. Tchau

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