Juíza e procuradora federal do PR foram aos atos bolsonaristas do 7 de setembro com faixa contra o STF

A juíza Isabele Papafanurakis Ferreira Noronha (segunda à esquerda) e a procuradora federal Maria Isabel Araújo Silva (segunda à direita) com faixa contra o Supremo

A juíza Isabele Papafanurakis Ferreira Noronha, da 6ª Vara Criminal de Londrina, participou das manifestações do último dia 7 de setembro, de acordo com postagem feita pelo jornalista José Maschio em seu Facebook. 

Maschio reproduziu o stories do Instagram de Maria Isabel Araújo Silva, procuradora federal, também presente ao ato, conforme o registro abaixo:

Reprodução: Instagram da procuradora Maria Isabel Araujo Silva

Maria Isabel, por sua vez, é bolsonarista declarada, como pode-se observar em seu perfil de Facebook.

A procuradora federal Maria Isabel e seu marido. Reprodução:Facebook

A conduta da procuradora é vedada pela Constituição Federal, que na alínea “e” do inciso II do quinto parágrafo do artigo 128 determina proíbe seus membros de praticar atividades político-partidárias.

A magistrada, usando uma peruca verde e amarela, acompanhava um grupo que trazia faixa com os dizeres “Supremo é o povo”, um dos lemas dos apoiadores do presidente para justificar o fechamento do STF ou o impeachment de alguns dos seus membros, como tentou o líder genocida recentemente com os ministros Alexandre de Moraes e Luiz Roberto Barroso.

Não seria a primeira vez na carreira de Isabele que seu nome estaria vinculado publicamente ao bolsonarismo. Em 2018 um  texto postado em seu Facebook viralizou nas hostes bolsonaristas. Nele, sem citar nomes, ela critica Lula e as esquerdas, contrapondo as críticas ao então candidato do PSL a  valores como rejeição à corrupção, fortalecimento dos valores familiares e, claro, ao anticomunismo.

Tal texto, cuja íntegra lê-se abaixo, foi objeto de questionamento de sua conduta perante o CNJ. O procedimento  0009117-15.2018.2.00.0000 porém foi arquivado após voto do Ministro Humberto Martins, diante do entendimento de que o Provimento 71/2018, que disciplina as atividades dos magistrados nas redes sociais, poderia não ter sido integralmente compreendido por ser recente na época (sua vigência iniciou cerca de 3 meses antes da publicação do texto da juíza em seu Facebook).

O artigo 26 da Lei Orgânica da Magistratura prevê a sanção de perda do cargo para juízes que praticam o exercício de atividade político-partidária, conduta vedada pela própria Constituição Federal.

Abaixo, o texto da juíza que viralizou nas redes em 2018:

Que sua rejeição por ele não seja maior que sua rejeição pela corrupção.  

Que sua rejeição por ele não seja maior que sua rejeição de ver o país governado de dentro da prisão pelos comandos de um candidato condenado em duplo grau de jurisdição, assim como ocorre com os líderes das facções criminosas já tão conhecidas.

Que a sua rejeição por ele não seja maior que os ensinamentos que você recebeu de seus pais sobre não subtrair aquilo que é dos outros.

Que sua rejeição por ele não seja maior que os princípios de educação, moral e cívica que você aprendeu quando criança nos bancos das escolas, na época em que escola ensinava o que, realmente, era papel da escola.

Que sua rejeição por ele não seja maior do que sua indignação com a inversão de valores existentes em nossa sociedade atual.

Que sua rejeição por ele não seja maior do que seu medo de viver o que já está vivendo a população dos países “amigos deles”, tais como, Venezuela, Bolívia e Cuba.

Que sua rejeição por ele não seja maior que sua indignação com cada escândalo de corrupção e desonestidade revelados na lava a jato.

Que sua rejeição por ele não seja maior do que seu pânico de viver numa sociedade tão insegura, onde pais de família são mortos diariamente e audiências de custódias são criadas para soltar aqueles que deveriam pagar por seus crimes.

Que sua rejeição por ele não o leve ao grave erro de demonizar a polícia e santificar bandido.

Que sua rejeição por ele não seja maior que sua defesa pelo fortalecimento da família, como estrutura básica da sociedade.

Que sua rejeição por ele não seja maior do que sua repulsa pelo mal que as drogas tem causado em nossas famílias.

Que sua rejeição por ele não seja maior que sua esperança de ter um país melhor para viver.

Que sua rejeição por ele não tire sua capacidade crítica de apurar tudo que é tendencioso na mídia.

Enfim, que sua rejeição por ele não o deixe cego a ponto de não enxergar que, neste momento, o Brasil está numa UTI e seu voto deve ser ÚTIL para salvá-lo. Não brinque com isso, não se iluda com a maquiagem dos discursos bonitos. A situação do Brasil é séria.

Na hora de votar, lembre-se de sua essência e do que, realmente, sempre foi importante para você.