Julgamento sobre morte de Henry Borel reacende conflito de versões; relembre o caso

Atualizado em 22 de março de 2026 às 23:35
Henry Borel. Foto: Divulgação

O julgamento dos acusados pela morte de Henry Borel, de 4 anos, deve começar na próxima semana, no Rio de Janeiro, com expectativa disputa de versões entre os réus. O caso tem como réus o ex-vereador Dr. Jairinho, padrasto do menino, e a mãe, Monique Medeiros, que vão a júri popular.

Henry morreu em março de 2021, após dar entrada em um hospital na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. As investigações apontaram que a criança foi vítima de agressões, enquanto os dois acusados negam o crime.

No domingo (7) de março de 2021, data dos últimos registros de Henry com vida, o pai do menino, Leniel Borel, trocou mensagens com Monique demonstrando preocupação com a resistência da criança em voltar para a casa da mãe. Naquela tarde, Monique buscou o filho após o fim de semana com o pai. Imagens mostram os dois entrando no condomínio onde ela morava, na Barra da Tijuca, e, pouco depois, Henry aparece no elevador ao lado de Jairinho. Já de madrugada, novas imagens registraram o menino imóvel no colo da mãe, quando foi levado ao hospital. Segundo relatório médico, ele já chegou sem vida.

O laudo do Instituto Médico Legal apontou que a morte foi causada por hemorragia interna e laceração do fígado, provocadas por ação contundente. Exames também identificaram 23 lesões no corpo da criança, inclusive na cabeça, nos rins e no pulmão. Em depoimento, Monique e Jairinho disseram que Henry teria caído da cama durante a noite, mas essa versão foi descartada pela investigação. De acordo com a polícia, a morte não foi acidental, e o Ministério Público denunciou o casal por tortura e homicídio.

O ex-vereador e a Monique. Foto: Reprodução

As investigações também apontaram que Henry sofria uma rotina de agressões antes do dia da morte. Segundo os promotores, ele teria sido torturado outras vezes antes da noite em que morreu. Jairinho e Monique estão presos desde então. No julgamento, a promotoria deve sustentar que não há dúvida sobre a autoria dos crimes e apresentar laudos periciais, depoimentos e outros elementos reunidos durante a apuração.

A defesa de Jairinho deve tentar demonstrar que a polícia não investigou indícios de que Henry poderia ter sofrido um acidente enquanto estava com o pai. Os advogados também afirmam que o laudo do IML, que teve seis versões complementares, teria sido modificado por interferência de Leniel junto aos peritos. Já a defesa de Monique deve contestar a versão da polícia e do Ministério Público de que ela sabia das agressões sofridas pelo filho e afirmar, perante os jurados, que o ex-vereador é o responsável pela morte da criança.

O júri deve ouvir 27 testemunhas e contará com sete jurados, além dos representantes da acusação e das defesas. A previsão é que o julgamento dure de cinco a dez dias. As penas podem ultrapassar 50 anos de prisão para cada réu. A defesa de Jairinho ainda pediu que o julgamento seja transferido para fora do Rio de Janeiro, sob a alegação de que existe na cidade uma mobilização capaz de influenciar os jurados. O pedido será analisado pelo Tribunal de Justiça.

Francine Eustaquio
21 anos. Trabalha no DCM desde 2025. Interessada em política, cultura e temas sociais, dedica-se à produção de conteúdo informativo e otimizado para o público digital. Aprecia leitura, cinema e música, além de explorar novos destinos e experiências gastronômicas nas horas vagas.