
O jornalista australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, declarou apoio ao presidente Lula (PT) neste sábado (24), véspera do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). Em publicação no X, ele relembrou os anos em que esteve preso no Reino Unido, destacou a atuação do petista em defesa de sua libertação e contrastou essa postura com a de Jair e Flávio Bolsonaro (PL).
“Fiquei mantido em confinamento solitário por 1.901 dias por revelar a verdade sobre os assassinatos e a espionagem do governo dos Estados Unidos, inclusive contra o Brasil e suas indústrias”, escreveu Assange. O fundador do WikiLeaks fez referência às revelações sobre operações militares estadunidenses e à espionagem praticada pela Agência de Segurança Nacional dos EUA. Documentos divulgados ao longo dos anos mostraram, entre outros casos, monitoramento de autoridades brasileiras e da Petrobras.
Na sequência, Assange lembrou que Lula se manifestou repetidamente em seu favor, mesmo quando estava fora da Presidência. “Fora do poder, Lula lutou pela minha liberdade”, afirmou.
Em 2019, quando o petista estava preso em Curitiba, uma mensagem publicada em seu perfil classificou Assange como “um herói do nosso tempo” e chamou sua prisão de atentado à liberdade de expressão. Lula voltou a defender publicamente sua libertação após retornar ao Planalto e, em maio de 2024, afirmou que o australiano deveria estar livre.
Lula vs. Bolsonaro: I was held in solitary confinement for 1,901 days for revealing the truth about the U.S. government’s killings and espionage, including against Brazil and its industries. Out of power, Lula fought for my freedom. In power, Lula discussed my persecution with Pope Francis, who decided to meet with my family and offer help. After my release, Lula and I met in Rome to mourn the Holy Father’s passing. Lula was kind to my children and asked for nothing in return. In contrast, Jair and Flávio Bolsonaro did nothing and said nothing. Yet without the ability to say no to Washington and Tel Aviv, there can be no domestic policy, only foreign instructions. Those orders are always the same: “Expand our theft of resources and wages, and keep your mouths shut about us murdering children.” Sellouts will surrender everything in exchange for a cut, even their own tongues.
— Julian Assange (@JulianAssange) October 24, 2026
Assange também atribuiu importância à interlocução de Lula com o papa Francisco. “No poder, Lula discutiu minha perseguição com o papa Francisco, que decidiu se encontrar com minha família e oferecer ajuda”, escreveu. Francisco recebeu Stella Assange e os filhos do jornalista em 2023, enquanto a campanha contra a extradição para os Estados Unidos seguia em andamento.
Após deixar a prisão britânica em junho de 2024, depois de um acordo com a Justiça estadunidense, Assange encontrou Lula em Roma, em abril do ano seguinte. Os dois estavam na capital italiana por ocasião da morte do papa Francisco. “Depois da minha libertação, Lula e eu nos encontramos em Roma para lamentar a morte do Santo Padre. Lula foi gentil com meus filhos e não pediu nada em troca”, afirmou.
Na mesma publicação, o fundador do WikiLeaks fez uma comparação direta com a família Bolsonaro. “Em contraste, Jair e Flávio Bolsonaro não fizeram nada e não disseram nada”, escreveu.
Assange avançou então para uma crítica à política externa baseada no alinhamento com Estados Unidos e Israel. “Sem a capacidade de dizer não a Washington e Tel Aviv, não pode haver política interna, apenas instruções estrangeiras”, declarou.
Em um dos trechos mais duros do texto, ele afirmou que essas determinações seriam sempre semelhantes: “Ampliem nosso roubo de recursos e salários e mantenham a boca fechada sobre nós assassinarmos crianças”. Por fim, atacou políticos que, em sua visão, subordinam seus países a interesses externos: “Os vendidos entregarão tudo em troca de uma parte, até mesmo suas próprias línguas”.
A relação entre Lula e Assange é antiga. Ainda em 2010, durante seu segundo mandato, o brasileiro criticou a prisão do fundador do WikiLeaks e defendeu que ele estava sendo perseguido por publicar documentos produzidos pelo próprio governo estadunidense. Quando Assange deixou Belmarsh, em 2024, Lula comemorou os “1.901 dias” encerrados com sua libertação e classificou o episódio como uma vitória da democracia e da liberdade de imprensa.