
O julgamento dos acusados pela morte de Antônio Vinícius Lopes Gritzbach começou nesta segunda-feira (22) sob forte esquema de segurança no Fórum de Guarulhos e foi marcado por momentos de tensão entre acusação e defesa.
Logo nas primeiras horas do júri popular, discussões interromperam os trabalhos e provocaram reclamações dirigidas ao juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, responsável por conduzir a sessão. O principal embate ocorreu após uma declaração do promotor Rodrigo Merli Antunes durante a oitiva de uma testemunha.
“O senhor conversa com bandido, eu converso com policial”, afirmou. A frase provocou reação imediata dos advogados de defesa, que protestaram em plenário. Um dos defensores chegou a se levantar da bancada e ameaçou abandonar a audiência. “Não estou aqui para ser desrespeitado por sujeito só porque é mais velho do que eu”, respondeu o advogado Renan Canto. Em meio às reclamações, Antunes reagiu dizendo apenas: “Blá-blá-blá”.
A defesa também reclamou da proximidade física do promotor durante os questionamentos às testemunhas e pediu intervenção do magistrado. Inicialmente, o juiz afirmou que as partes tinham liberdade para circular pelo plenário, mas depois solicitou que o representante do Ministério Público evitasse transitar próximo aos advogados.
Outro momento de atrito ocorreu durante o depoimento do perito Leandro Santos Lopes. Os defensores protestaram após ele informar que teve acesso prévio ao parecer elaborado pela defesa e que havia se encontrado com o promotor antes do julgamento.
Os advogados também questionaram a postura do perito durante as respostas. “O senhor está extremamente hostil com a defesa, inclusive com um ‘arzinho’ de deboche”, afirmou o advogado Cláudio Calledone. No banco dos réus estão os policiais militares Dênis Antônio Martins, Ruan Silva Rodrigues e Fernando Genauro da Silva.
Segundo a acusação, eles teriam participado diretamente da execução ocorrida no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em novembro de 2024. O atentado também matou o motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais e deixou duas pessoas feridas.

Os três acusados negam envolvimento no crime. As defesas sustentam que a denúncia foi construída com base em provas supostamente forjadas e afirmam que os policiais não estavam no aeroporto no momento dos disparos.
Também contestam análises periciais, exames genéticos e dados de telefonia utilizados para posicioná-los na cena do crime. Enquanto os PMs são julgados, outros investigados continuam fora do alcance da Justiça.
Entre eles estão Emílio Carlos Gongorra Castilho, conhecido como Cigarreira, e Diego dos Santos Amaral, o Didi, apontados pela investigação como mandantes do assassinato. Kauê do Amaral Coelho, filmado no aeroporto indicando a localização da vítima aos atiradores, também permanece foragido.
Segundo a Polícia Civil, há informações de que Cigarreira e Didi deixaram o Brasil. Como não foram localizados para serem formalmente citados, o processo contra alguns dos acusados está suspenso. Didi apresentou defesa por meio de advogado e deverá responder em julgamento separado, ainda sem data definida.
De acordo com a investigação, o assassinato teria sido motivado por disputas financeiras e vingança. Gritzbach era suspeito de envolvimento na morte de Anselmo Becheli Santa Fausta, o Cara Preta, integrante do PCC morto em 2021.
Ele também era acusado por membros da facção de ter desaparecido com cerca de US$ 100 milhões que pertenceriam ao criminoso. Gritzbach negava participação tanto no homicídio quanto no desaparecimento do dinheiro, embora tenha admitido às autoridades ter colaborado com operações de lavagem de dinheiro ligadas ao grupo criminoso.