Júri dos EUA condena Meta a pagar US$ 375 milhões por exploração sexual infantil

Atualizado em 25 de março de 2026 às 6:55
Logo da Meta. Foto: Cheng Xin/Getty Images

Um júri do estado do Novo México, nos Estados Unidos, determinou nesta terça-feira (24) que a Meta pague US$ 375 milhões em multa por violar a lei de proteção ao consumidor. A decisão envolve acusações relacionadas à exposição de adolescentes a riscos em plataformas como Instagram, Facebook e WhatsApp.

A ação foi movida pelo procurador-geral Raúl Torrez, que acusou a empresa de enganar usuários sobre a segurança de seus serviços e permitir a exploração sexual infantil. O julgamento durou seis semanas e marca a primeira manifestação de um júri sobre esse tipo de acusação contra a empresa.

Segundo o processo, adultos teriam conseguido acessar menores de idade e estabelecer contato com usuários vulneráveis, em situações que levaram a abusos fora do ambiente digital e casos relacionados a tráfico de pessoas. A ação teve origem em uma operação realizada em 2023, na qual investigadores criaram contas se passando por menores de 14 anos e receberam conteúdo explícito.

Sombra de adulto e criança
Imagem ilustrativa – Agência Brasil

O estado também apresentou documentos internos que indicariam reconhecimento, por parte da empresa, de problemas envolvendo exploração sexual e impactos na saúde mental. Ainda segundo a acusação, a Meta não teria adotado medidas básicas de segurança, como verificação de idade, e manteve funcionalidades voltadas ao aumento de engajamento, como rolagem infinita e reprodução automática de vídeos.

Em uma das manifestações ao júri, a advogada do estado afirmou: “Ao longo de uma década, a Meta falhou repetidamente em agir com honestidade e transparência” e “falhou em proteger os jovens deste estado”. A defesa respondeu que a empresa realiza “esforços incansáveis para prevenir conteúdo nocivo” e que não teria enganado intencionalmente o público.

A Meta enfrenta outros processos nos Estados Unidos que discutem o impacto das redes sociais sobre crianças e adolescentes, incluindo ações que apontam dependência digital e pedidos de indenizações bilionárias. Em maio, o juiz responsável pelo caso deve analisar novas alegações sobre segurança pública, enquanto outro julgamento na Califórnia avalia responsabilidades de plataformas digitais.

Francine Eustaquio
21 anos. Trabalha no DCM desde 2025. Interessada em política, cultura e temas sociais, dedica-se à produção de conteúdo informativo e otimizado para o público digital. Aprecia leitura, cinema e música, além de explorar novos destinos e experiências gastronômicas nas horas vagas.