Justiça manda ex-presidente de ONG explicar R$ 56,8 mil ganhos no “Caldeirão do Huck”

Atualizado em 12 de agosto de 2026 às 11:56
Luciano Huck no quadro The Wall. Foto: reprodução

A Justiça de Alagoas determinou que Carlos Jorge da Silva Santos, ex-presidente do Instituto Mandaver, preste contas sobre o destino de R$ 56,8 mil recebidos como prêmio no “Caldeirão do Huck”, da Globo, em janeiro de 2020. O juiz Maurício Breda Filho fixou prazo de 15 dias para a explicação à entidade.

Fundador e primeiro presidente da ONG sediada no bairro Vergel do Lago, em Maceió, Carlos Jorge participou do quadro “The Wall”. Durante o programa, ele afirmou que usaria o dinheiro em um projeto social do instituto e citou o sonho de construir um polo tecnológico na região.

Luciano Huck afirmou, conforme consta no processo, que a premiação ajudaria “centenas de vidas”. A participação de Carlos Jorge no programa ocorreu quando ele representava o Instituto Mandaver.

A entidade abriu ação contra o ex-presidente ao afirmar que não recebeu os valores. Na petição, a ONG sustenta que ele “se apoderou de valores que não fazia jus” e destaca que o convite para o programa decorreu de sua atuação no instituto.

Carlos Jorge da Silva Santos, ex-presidente do Instituto Mandaver, participando do programa de Luciano Huck na Globo. Reprodução

Defesa diz que prêmio pertencia ao participante

Carlos Jorge afirmou no processo que participou do “Caldeirão do Huck” exclusivamente como pessoa física. A defesa alegou que, se a premiação tivesse como beneficiário jurídico o Instituto Mandaver, a produção teria depositado o valor diretamente na conta da pessoa jurídica, e não em sua conta pessoal.

Ele também classificou as falas sobre investir na ONG como declarações dadas “no calor da emoção e sob forte apelo midiático”. Para a defesa, a promessa não criou obrigação legal de transferir o dinheiro à entidade.

O juiz rejeitou esse argumento ao apontar que a participação não decorreu de méritos pessoais de Carlos Jorge, mas de sua condição de representante da organização. Breda Filho citou as declarações feitas em rede nacional sobre a construção do polo tecnológico e a ampliação das atividades culturais e esportivas do instituto.

Carlos Jorge disse ainda ter doado voluntariamente parte do prêmio a integrantes da ONG. Após o prazo para a prestação de contas, a Justiça analisará os pedidos de indenização e de exclusão dele do Instituto Mandaver.

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