
A Justiça da Itália acolheu nesta quinta-feira (16) o pedido do Brasil para a extradição da ex-deputada Carla Zambelli no caso em que ela foi condenada por porte ilegal de arma. A informação foi confirmada pelo embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca de Souza. Ainda cabe recurso contra a decisão, mas o novo aval da Justiça italiana amplia a pressão para que a bolsonarista seja enviada de volta ao Brasil, onde é considerada foragida.
O processo trata do episódio ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando Zambelli perseguiu, armada, o jornalista Luan Araújo pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, após uma discussão política.
As imagens da então deputada correndo com uma pistola em punho levaram à abertura de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF). Depois da apuração, ela foi condenada por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.
Mas Que MARAVILHA.
É A Carla Zambelli Sendo AGORA CONDENADA A 5 ANOS E 3 MESES DE PRISÃO Por CONSTRANGIMENTO E PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO
pic.twitter.com/XFPOKhv8wJ— Sérgio A J Barretto (@SergioAJBarrett) August 22, 2025
Essa não é a única frente judicial enfrentada por Carla Zambelli na Itália. Em outro caso, relacionado à invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça, a Justiça italiana já havia autorizado sua extradição. A defesa da ex-parlamentar, no entanto, apresentou um recurso em 10 de abril para tentar derrubar essa decisão. Esse pedido ainda não foi analisado pelas autoridades italianas.
Zambelli tem cidadania italiana e deixou o Brasil em maio do ano passado, cruzando a fronteira com a Argentina antes de seguir para os Estados Unidos e, depois, para a Itália. Como saiu do país após condenação do Supremo, passou a ser considerada foragida da Justiça brasileira. Diante disso, o STF formalizou o pedido de extradição, assinado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator dos casos envolvendo a ex-deputada.
Ela segue presa em Roma porque as autoridades italianas entendem que há risco de fuga. A prisão ocorre no âmbito do tratado recíproco de extradição firmado entre Brasil e Itália, em vigor desde 1993. O acordo prevê que os dois países são obrigados a entregar um ao outro pessoas procuradas para responder a processo ou cumprir pena restritiva de liberdade. Esse instrumento jurídico tem sido o principal fundamento da ofensiva brasileira para trazer Zambelli de volta.