
O juiz federal Fred Biery, dos Estados Unidos, determinou nesta terça-feira (27) a suspensão temporária da deportação do menino equatoriano Liam Conejo Ramos, de 5 anos, e de seu pai, Adrian Conejo Arias pelo governo de Donald Trump. Ambos estão detidos há cerca de uma semana em um centro do ICE, o serviço de imigração do país, após uma operação realizada em Minneapolis. A decisão foi tomada pelo magistrado que estabeleceu a medida “até nova ordem do tribunal”.
Além de barrar a deportação, o juiz também proibiu que o ICE transfira pai e filho do distrito oeste do Texas, onde estão detidos atualmente, “durante a pendência deste litígio e até nova ordem”. Liam e Adrian são cidadãos do Equador e estão presos em um centro de detenção em San Antonio, a aproximadamente 2.000 quilômetros de distância de Minneapolis.
O caso ganhou repercussão após denúncias de que agentes do ICE teriam apreendido a criança durante uma batida de imigração e a utilizado como forma de pressionar a entrada em uma residência. Segundo informações repassadas por uma escola de Minneapolis, os agentes teriam usado o menino como isca para tentar localizar e prender outros imigrantes que estariam no local.
De acordo com o Departamento de Segurança Interna do governo Donald Trump, a operação ocorreu no dia 20 e tinha como objetivo prender Adrian Conejo Arias, que, segundo as autoridades, estaria em situação migratória irregular. O ICE afirma que Adrian tentou fugir durante a abordagem e teria abandonado o filho, também nascido no Equador.
A versão é contestada pela defesa. Em entrevista após as detenções, o advogado Marc Prokosch, que representa Arias, negou as acusações do governo e afirmou que não procede a alegação de que a família estaria em situação irregular nos Estados Unidos.

A superintendente do distrito escolar de Columbia Heights, onde Liam estuda, relatou que a abordagem aconteceu quando Adrian retornava para casa após buscar o menino na pré-escola. Após prender o pai, os agentes teriam pedido que a criança batesse à porta da residência para verificar se havia mais pessoas no interior do imóvel.
“Eles usaram [Liam] como isca”, afirmou a superintendente Zena Stenvik em entrevista coletiva. “Por que apreender uma criança de cinco anos? Não é possível que alguém acredite que [o menino] é um criminoso violento”, completou.
Ainda segundo o relato, outro adulto que reside na casa, cuja identidade não foi divulgada, teria “implorado aos agentes” para que deixassem a criança no local. O pedido foi negado, e pai e filho foram levados cerca de 20 minutos antes da chegada do irmão mais velho de Liam, que estuda no ensino fundamental.
Em nota, o ICE declarou que Adrian Conejo é um “imigrante ilegal solto dentro do país pelo governo Biden” e afirmou que pais detidos em processos de deportação têm a opção de permitir que seus filhos os acompanhem de volta ao país de origem. O órgão não esclareceu se Adrian fez essa escolha nem explicou por que Liam não foi deixado sob os cuidados do outro adulto presente no local.