Justiça libera documentos sigilosos sobre morte de Tancredo Neves

Atualizado em 1 de novembro de 2026 às 18:52
Tancredo Neves. Foto: Divulgação

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região autorizou, por decisão unânime, que a família de Tancredo Neves tenha acesso a documentos sigilosos sobre a internação do presidente eleito no Hospital de Base, em Brasília, em 1985. A medida abre os prontuários, a relação de médicos e outros registros que estavam sob guarda dos conselhos de medicina.

A família busca esclarecer suspeitas de erro médico no tratamento de Tancredo, que morreu em 21 de abril de 1985, um mês após ser internado na véspera da posse presidencial. Ele havia sido eleito indiretamente e seria o primeiro presidente civil após duas décadas de regime militar.

O Conselho Federal de Medicina e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal deverão liberar os documentos. As duas entidades afirmaram que ainda não tinham recebido notificação oficial da decisão judicial.

Tancredo deu entrada no hospital com diverticulite, uma inflamação no intestino grosso. Durante o tratamento, enfrentou hemorragia e outras complicações, até ser transferido para o Instituto do Coração, em São Paulo, já em estado grave.

Tancredo Neves sentado ao lado de médicos durante internação em 1985
Tancredo Neves sentado e cercado por médicos durante sua internação em 1985. Foto: Reprodução

A disputa pelos registros começou após a publicação de “O paciente”, livro do escritor Luís Mir lançado em 2010 com autorização da família. A obra reuniu questionamentos de especialistas sobre decisões tomadas pela equipe médica e apontou possíveis falhas nos procedimentos.

A advogada Juliana Porcaro, porta-voz da família, afirmou que os conselhos médicos recusaram inicialmente o pedido de acesso com base no sigilo entre médico e paciente. A negativa levou os familiares à Justiça Federal.

Entre os pontos levantados estão a realização de uma cirurgia de emergência, a presença de mais de 30 acompanhantes na sala de operação e supostas falhas no período de recuperação. Especialistas ouvidos por Mir questionaram a indicação de uma operação imediata para o quadro diagnosticado.

Médicos que participaram do atendimento receberam uma advertência do CRM-DF, mas o motivo do procedimento administrativo não se tornou público. “Se há uma advertência, é porque houve um processo administrativo no conselho e algo foi considerado errado”, disse Juliana Porcaro, ao defender o acesso da família aos autos.

Diario do Centro do Mundo
O Diário do Centro do Mundo (DCM) é um portal brasileiro de jornalismo digital fundado em 2013. O site publica notícias e análises sobre política, economia, cultura, mídia, comportamente -- tudo o que é relevante, no Brasil e no exterior