Justiça mantém condenação de Malafaia por dizer que Felipe Neto “perverte crianças”

Atualizado em 1 de outubro de 2026 às 18:27
Silas Malafaia fala ao microfone em palco diante de tela
Silas Malafaia fala ao microfone em palco diante de uma tela. Foto: Reprodução

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro rejeitou o recurso do pastor Silas Malafaia e manteve a condenação para que ele pague R$ 25 mil de indenização ao influenciador Felipe Neto. A ação trata de declarações em que o religioso chamou o youtuber de “bandido” e “canalha” e disse que ele “perverte as crianças e adolescentes através de seus vídeos”.

Malafaia também afirmou que Felipe Neto merecia ser preso por defender a distribuição de uma revista em quadrinhos que trazia o beijo entre dois personagens masculinos. Ainda cabe recurso contra a decisão, e o advogado Jorge Vacite Neto, que representa o pastor, declarou que não há obrigação definitiva de pagamento enquanto o processo estiver em fase recursal.

Felipe Neto acionou a Justiça ao afirmar que Malafaia lhe atribuiu crimes que ele não cometeu e o perseguiu por “pura e simples homofobia”. O influenciador sustentou que os ataques atingiram sua honra.

A condenação em primeira instância saiu em fevereiro de 2026. Ao recorrer, Malafaia alegou que participou de uma disputa pública de ideias sobre educação, costumes e valores culturais, sem intenção de ofender pessoalmente o influenciador.

O influenciador Felipe Neto. Foto: reprodução

Desembargadora apontou excesso de linguagem nos ataques

De acordo com informações da Folha, a desembargadora Cláudia Telles de Menezes, relatora do caso, rejeitou os argumentos da defesa. “Toda crítica e opinião é possível, desde que respeitosa”, afirmou na decisão.

Para a magistrada, os termos “bandido” e “canalha”, somados à acusação de prática de crime, ultrapassaram os limites da crítica. Ela também classificou como excessiva a frase em que Malafaia disse que Felipe Neto “perverte e manipula crianças e adolescentes com seus vídeos”.

O conflito começou em 2019, quando Marcelo Crivella, então prefeito do Rio, ordenou o recolhimento de exemplares de “Vingadores: A Cruzada das Crianças” expostos na Bienal do Livro. A obra da Marvel continha uma cena de beijo entre dois personagens homens.

Felipe Neto comprou o estoque disponível do quadrinho e anunciou que o distribuiria gratuitamente, após denunciar “censura motivada por homofobia”. Nas redes sociais, ele escreveu que enquadrar o afeto homossexual como pornografia ou conteúdo impróprio para menores representa “censura em último nível”.

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